05/08/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Biden será o próximo presidente dos Estados Unidos, isto já ficou claro, é apenas uma questão de tempo para que os votos finais sejam contados e o anúncio seja feito. Não existe a menor chance de que Trump seja reeleito.

Algumas lições da eleição americana podem servir para as eleições no Brasil em 2022. A mais importante delas é que mesmo o maior fascista dos tempos modernos pode ser derrotado. Nem todas as Fake News disparadas, todo o dinheiro investido numa campanha milionária e a soberma megalomaníaca de Trump foram capazes de sustentar sua candidatura a reeleição.

A segunda delas, é de que quando as pessoas saem para votar e não se eximem da participar da eleição, o bem vence o mal maior. Sem entrar no mérito de que Biden é parte do mainstream americano, o importante a ser dito é de que ele é um mal imensamente menor do que Trump.

A terceira delas diz respeito as pesquisas. Inicialmente se imaginou que elas estavam mais uma vez equivocadas e que Trump, contrariando todas elas, seria reeleito. Os fatos mostraram que desta vez elas acertaram no que importa: Biden venceu. As pesquisas recuperaram a credibilidade perdida na eleição de Trump quando davam como certa a vitória de Hillary Clinton.

O fascismo sofre uma grande derrota, ou melhor dito, nós antifascistas tivemos uma grande vitória. Se o maior deles na atualidade foi derrubado, o caminho está aberto para que o mesmo aconteça em outros países. Um a um, eles todos serão devolvidos ao esgoto de onde nunca deveriam ter saído.

A eleição para a presidência dos EUA não é exatamente democrática. Numa democracia, como acontece em todo o mundo, cada cidadão representa um voto. A maioria dos votos em determinado candidato aponta o vencedor, simples assim. Não nos EUA, lá ocorre uma eleição em cada um dos estados que determina um número de delegados para um colégio eleitoral que é quem de fato elege o presidente. Em cada estado, um vencedor diferente, e os delegados dele vão todos votar nele. Isto faz com que um presidente possa ser eleito com menos votos recebidos pela população. Em outras palavras não é necessário obter o voto da maioria dos cidadãos, mas apenas vencer nos estados que possuam mais delegados.

Cada estado organiza sua eleição, não existe um órgão central para administrar o processo. Diferentes meios de votação são empregados, fazendo com que cada estado tenha sua própria forma de aferir os resultados. Eles se consideram a maior democracia do mundo.

Estamos diante de um grande acontecimento. Mesmo com a pandemia batendo forte, o país fez a sua eleição. Nos últimos dias o número de novos infectados bate recordes nos EUA. A população preferiu votar pelos correios, principalmente os que votam em Biden. Estes votos são os que estão sendo contados agora e que Trump tenta sem sucesso impedir.

Bolsonaro perdeu seu mestre e mentor. Não terá as bênçãos que imaginava receber no futuro. Perde sua bússola, e com ela o Ministério das relações Exteriores fica sem rumo não tendo mais como se alinhar automaticamente. Nossa submissão ficou momentaneamente órfã.

Ainda resta muito que se fazer. O fascismo sofre um grande golpe, mas continua vivo no Brasil. Precisamos unir forças e continuar na luta, ele será derrotado aqui também. Bolsonaro está com seus dias contados se todas as forças progressistas entrarem unidas na próxima eleição. Precisamos construir uma Frente Ampla.

Hoje vamos nos permitir saborear a vitória numa importante batalha. Amanhã novas batalhas nos aguardam.

 

 

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