18/04/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Vacina, vacina, vacina!

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Foi uma semana de boas e má notícias. A boa é que Fachin decidiu anular todas as condenações de Lula. Cinco anos depois, ele teria se convencido que Curitiba não seria o fórum correto para julgar o ex-presidente. A má é que o Brasil vai quebrando recordes de mortes pelo Covid dia a dia.

Quase tivemos outra boa notícia se o STF tivesse concluído pela suspeição de Moro para julgar Lula, não fosse um pedido de vistas. Não obstante as provas contundentes de que Moro perseguiu Lula em conluio com os promotores da Lava a Jato, o julgamento está empatado.

Também foi notícia a viagem a Israel de uma delegação brasileira para trazer na bagagem um spray milagroso que iria curar todos os doentes com Covid. Um verdadeiro desperdício de dinheiro público, mas quem está contando?

Da decisão de Fachin sobram interpretações, mas o fato é que Lula hoje está livre para concorrer nas eleições de 2022. Fez um discurso de estadista que pode ser reconhecido como de lançamento da campanha. Falou por uma hora e meia o que Bolsonaro não é capaz de falar em 3 minutos com cola na mão.

O problema é que as acusações contra Lula ainda existem. Elas vão ser transferidas para Brasília e teoricamente se aceitas pelos magistrados, darão inicio ao processo do zero. A lógica diz que não existem provas, apenas convicções e por isso os processos podem ser extintos ainda na inicial, mas de bunda de nenê e cabeça de juiz, vocês sabem, né?

Agora Fachin decidiu levar sua decisão monocrática, para ser confirmada em plenário. Pode-se  esperar pela confirmação, ou não, e neste caso Lula volta a ter sua candidatura impedida, tudo permanece como estava. O Brasil é uma grande novela mexicana. Não perca os próximos capítulos.

O número de mortos já passa de 2000 ao dia e tudo o que este governo consegue pensar é em paliativos e jogar a responsabilidade no colo de prefeitos e governadores. Não adquire vacinas e menospreza onde começam a fazer uso do Lockdawn. Em resumo, não ajudam e ainda atrapalham como podem.

No julgamento de Moro, Gilmar Mendes sentou o sarrafo. Deu nome aos bois e disse o que todos nós já sabemos há muito tempo. Citou as conversas entre os procuradores e o juiz e como tudo foi combinado para concretizar o desejo deles em condenar Lula a qualquer preço. Nada era novidade, mas escutamos um “isto é gravíssimo” de parte de Cármen Lúcia.

O novato da turma, Nunes Marques, pediu vistas. Mais um que não lê notícias e vive em outro planeta. Desconhece o processo e quer se inteirar do assunto. Vá lá que seja, desde que não leva meses ou anos para isso.

Da turma de turistas brasileiros que chegaram em Israel, algumas coisas ficaram claras. A primeira é de que tiveram de usar máscaras em todos os momentos em que estiveram reunidos com autoridades israelenses. Aqui ninguém estava a fim de arriscar uma nova cepa de Covid trazida por eles. Entre um encontro e outro, ficaram confinados no hotel.

Com relação ao tal remédio milagroso, levaram uma invertida humilhante. A reunião aconteceu no hotel. Foram informados do que poderiam ter lido nos jornais, ou respondido em um encontro por Zoom, que o tal medicamento ainda não começou a ser testado de fato, portanto ele não só não existe, como ainda vai levar muito tempo até que possa vir a ser ministrado em pacientes. Mas também receberam uma lição de como prevenir o Covid: vacina, vacina e vacina!

Para não saírem de mãos abanando, teriam assinado um protocolo de intenções para quando o remédio chegue na fase 2 e 3, o Brasil seja um dos lugares onde possa ser testado. Tipo um prêmio de consolação. Por enquanto a família miliciana vai precisar se contentar com spray de Lança-pefume. Não cura o Covid, mas dá um barato por alguns minutos para esquecer esta presepada.

Uma semana interessante que deixa um gosto amargo pelo aumento do número de vítimas da pandemia no Brasil.

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