16/06/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Um Trump a menos

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Impossível não sentir um pouco de inveja dos americanos que se livraram do Trump. E o Brasil ainda precisa aguardar dois anos, isto se um Impeachment não remover o inepto antes.

A passagem de Trump pela política, suas atitudes e como criou em torno de si um movimento de fanáticos, entre eles judeus e nazistas, supremacistas brancos e negros, antiabortistas e mulheres, heteros e LGBTs é um mistério sociológico sem explicação.

Os americanos se dividem basicamente entre dois partidos que se alternam no poder, os Republicanos e os Democratas. Não vou entrar em detalhas, mas historicamente os Democratas de hoje eram considerados os Republicanos de ontem, e os Republicanos de hoje, os Democratas de ontem. Quem quiser que leia a história.

Trump não tinha nenhuma ligação com o partido Republicano, a não ser doações financeiras. Foi capaz de tomar o partido, se tornar candidato a presidente e vencer as eleições. O cara merece algum crédito. Quem mais seria capaz de uma proeza destas?

E assim, como presidente dos EUA, e investido dos poderes que o cargo lhe confere, deu início a maneira Trump de corrigir os caminhos da américa para torná-la “grande” novamente. Sua visão de vida comercial privada se tornou a nova política dos EUA, tanto interna, como externamente.

Entre seus feitos, destruir tudo o que Obama e seus antecessores haviam deixado como legado de governo. Não vou entrar no mérito, mas o fato é que ele tirou os EUA dos acordos do Clima, do Acordo Atômico com o Iran, da OMS e de boa parte dos organismos da ONU. Chantageou países árabes para acordos diplomáticos de relações com Israel. Trump agiu na política, como na sua vida real.

Talvez, e aqui é um real talvez, por conta desta maneira de agir, ele conseguiu atrair tantos extremistas a sua volta. Ele os tratava como iguais. Seus simpatizantes jamais foram hostilizados ou desprezados, mesmo quando cometiam um crime. Com esta mensagem compreendida, não foi nada demais tentar tomar o Congresso de assalto em frente as câmaras.

O sentimento de impunidade foi uma boa motivação. Some-se a ela a crença real de que as eleições foram roubadas e de que o país será entregue aos comunistas. Pronto, a receita do impensável está pronta. Basta uma ordem, que nem precisa ser direta, pode ser em um olhar, um movimento de cabeça ou um gesto. A massa compreendeu e lá se foram para fazer história em um dia, e responderem processos no outro.

Desta vez a democracia prevaleceu, mas nem sempre é assim. O sistema democrático é frágil e precisa se resguardar. A liberdade de pensamento é uma noção democrática que exige limites. Ninguém pode usar desta máxima para destruir a democracia. Não se pode permitir um partido político que pregue a ditadura, como não se pode permitir que alguém pregue a morte dos que não comunguem com o seu pensamento.

A Liberdade de Imprensa é um pilar da democracia, mas a oligarquia de imprensa não pode existir. Ela concentra na mão de poucos o poder da informação e do acesso a ela. Imprensa Livre é aquela que obedece a normas regulatórias para evitar sua concentração nas mãos de poucos que determinam qual informação poderá ser acessada, e aquela que deve ser suprimida, da mesma maneira que o sistema financeiro é livre, mas não permite a concentração de negócios em setores essenciais nas mãos de uma mesma empresa.

A democracia brasileira é ainda uma criança. Está longe da maturidade e por isso nosso sistema jurídico é tão politizado. Ainda somos incapazes de lidar com questões importantes sem que tudo acabe judicializado, o que faz com que, ironicamente falando, o Poder Judiciário se torne um poder acima da lei.

Felizmente, com todos os seus defeitos, a democracia permite que de alguma maneira, mesmo aquele que foi escolhido pelas urnas para presidir o país, possa ser processado e na forma legal, afastado do poder. Não é simples, mas vamos chegar lá.

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