15/04/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Um Povo em Armas

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O Tsahal (abreviatura de Exército de Defesa de Israel em Hebraico) é um dos exércitos modernos com maiores glorias acumuladas durante sua existência. Foi vitorioso em todas as guerras que participou. Na maioria delas enfrentou a vários exércitos simultaneamente em inferioridade numérica de homens e armamento.

Criado por Bem Gurion logo após a independência, incorporou a suas fileiras militantes das diversas forças que combatiam os Ingleses e lutavam pela criação do Estado. Este exército se tornou um povo em armas. Isto se deve pelo fato de que todo cidadão israelense (com exceção dos árabes e judeus ortodoxos) serve por 3 anos (2 para as mulheres) e depois por cerca de 30 dias ao ano até a idade de 55 anos.

Este exército possui alguns aspectos peculiares que poucos conhecem. Durante o treinamento básico de 6 meses, os recrutas carregam por milhares de quilômetros em revezamento, uma maca com um colega sobre ela. A razão disso é que em Israel nenhuma pessoa que luta pela pátria pode ficar para trás no campo de batalha. Vivo, ferido ou morto todos tem que voltar. Pela mesma razão não existe um monumento ao soldado desconhecido. Não se pode imaginar que quem tenha dado a vida pelo país, seja enterrado sem um nome.

O exército israelense é mundialmente reconhecido por seus feitos não apenas nos campos de batalha. Quem não lembra da Operação Entebe, quando se deslocou até Uganda para salvar os passageiros seqüestrados de um avião?

Este mesmo exército de uma moral de conduta e uma ética militar invejável está mudando. As tropas treinadas para a guerra estão sendo enviadas para ocupar cidades e vilas nos territórios ocupados. Cumprem tarefas de policiais para os quais não tiveram treinamento algum. O resultado disso já está aparecendo.

Mais de dez soldados (entre eles alguns oficiais) estão presos acusados de vender armas, munições e uniformes do exército para terroristas. Alguns inclusive residem nos territórios em colônias que sofreram ataques terroristas.

Dezenas de soldados estão sofrendo processos por acusação de roubo. Ao entrarem nas residências a procura de foragidos ou de armas e explosivos, alguns soldados se apropriam de dinheiro, jóias e objetos de valor que encontram.

Já existem relatos de soldados que cometeram assassinatos a sangue frio. Terroristas (ou acusados de terrorismo) são presos e mortos com a desculpa de que teriam reagido ou tentado fugir. Segundo fontes independentes, eles já estavam dominados e não esboçavam qualquer reação.

Muitas unidades estão sob suspeição de proteger grupos extremistas judaicos acobertando suas ações contra populações palestinas. Em outras existem acusações do recebimento de propinas para permitir a passagem de cidadãos de uma cidade para outra dentro dos territórios.

Já são cerca de 480 soldados os que se recusam a servir nos territórios por dilema de consciência. Nunca houve um número tão elevado de homens desobedecendo a uma ordem militar.

O exército israelense está sendo contaminado pela política de ocupação de Israel. Estes números são ínfimos se comparados ao conjunto das forças. Mas um câncer quando começa em uma única célula do corpo humano, também não representa nada.

O próprio exército brasileiro se recusa a colocar as tropas no combate ao crime porque sabe que elas serão contaminadas. Nenhum exército consegue se manter em zonas de ocupação sem perder sua moral e ética de conduta. Assim foi no Afeganistão para os Russos e está sendo na Tchetchênia.

Esta é mais uma razão para continuarmos a exigir a imediata retirada das tropas dos territórios autônomos, o desmantelamento das colônias, o fim de toda forma de terrorismo palestino e o reinicio das conversações de paz que levem os dois povos a reconciliação.

Não permitam que o exército israelense se transforme numa tropa de mercenários. Tragam os soldados para casa. A paz merece uma chance.

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