ter. jun 2nd, 2020

Mauro Nadvorny & Amigos

A Voz da Esquerda Judaica

O Brasil em colapso

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Revendo o que se poderia chamar de início dos fins dos tempos no Brasil, me deparei com aquelas primeiras manifestações verde-amarelas contra a Presidenta Dilma Rousseff. Nelas, crianças nos ombros de seus pais reclamando da alta do dólar e de sua vontade de poder ir a Disney. Lá estão também aqueles que reclamavam da alta da gasolina com histeria nos postos.

Pode-se compreender que cada um sabe onde mais lhe dói. O povo brasileiro tem gente que não junta uma moeda que caia no chão, e aqueles que fazem de tudo para receber uma moeda em um semáforo. Interessante que o abismo social no país aumentou proporcionalmente ao desarranjo político que se seguiu ao Impeachment de Dilma, o governo Temer, a prisão de Lula e a chegada ao poder de Bolsonaro.

Ninguém sabia que um vírus surgiria na China e causaria um dos maiores desastres econômicos mundiais ceifando vidas por todo o planeta com uma velocidade impressionante. O Covid-19 cobrou e segue cobrando um alto preço em todos os lugares onde a liderança política menosprezou sua força. O Brasil é a prova disso.

Sim, outros países cometeram este erro e isso fez com que a lição fosse aprendida pelos próximos países onde o vírus desembarcou. Dada a velocidade da contaminação e o número de óbitos, lidar com este vírus é como colocar uma pessoa em um carro em movimento e pedir que aprenda a dirigir. Ninguém tem certeza de nada porque ainda não houve tempo para se tirar todas as conclusões necessárias para apontar um caminho de como lidar corretamente com a pandemia, muito menos para se obter uma vacina.

Um fato é reconhecido por todo o mundo, o trabalho incansável do corpo médico para salvar pacientes, com a perda de suas próprias vidas. Em todos os países o agradecimento a estes profissionais em forma de aplausos nas janelas, de mensagens em cartazes nas redes sociais, nas redes de televisão é comovente.

Mas existe uma exceção no mundo, e ela acontece no Brasil. O corpo médico é atacado por aquelas mesmas pessoas que reclamavam da alta do dólar e da gasolina. De verde e amarelo eles agridem os profissionais que lutam desesperadamente para salvar vidas em um sistema que entra em colapso e vai obriga-los em breve a escolher quem tratar, e quem deixar morrer.

Estes brasileiros acompanham somente as redes de informação bolsonaristas. Nelas o importante é a volta ao trabalho, a abertura do comércio e o livre ir e vir. Tudo repetido exaustivamente pelo seu líder ao lado das notícias que mostram, diariamente, o aumento do número de infectados e de mortos. Já são 150.000 e 10.000, respectivamente.

O que se sabe de uma doença contagiosa, qualquer que seja ela, é de que somente o isolamento do doente impede o contágio de outros. Assim, para se combater o Covid-19, em todos os lugares, começando pela China, a população foi colocada em lockdown. Todos permanecendo em casa, os doentes são mais facilmente identificados, hospitalizados e tratados. Reduz-se assim o número de novos doentes e em pouco tempo a vida pode começar a voltar ao normal. Onde não se obedeceu a esta recomendação, o resultado foi desastroso em termos de vidas ceifadas e crise na economia. São 4.000.000 milhões de pessoas infectadas e 275.000 mil mortes no mundo.

Agora o momento de voltar aqueles de verde-amarelo. Aqueles que puderam viajar e trouxeram o vírus para o Brasil. Estes que saem as ruas em carreatas para exigir a volta a normalidade em meio ao desastre causado por eles próprios. Que atacam o corpo médico e ameaçam fechar o Congresso e o STF. Os que colocam o emprego doméstico como serviço essencial, afinal a Casa Grande não pode ficar sem limpeza diária.

Esta escória nacional que continua flertando com um presidente que não tem nenhuma preocupação com o povo brasileiro, além daqueles que o bajulam. O tipo de gente que continua se negando a ficar em casa e saem as ruas sem máscaras. Idiotas que se aglomeram para aplaudir seu ídolo que os recebe de braços abertos e cara limpa.

Todos os países do mundo vão passar por uma crise econômica e social, de maior, ou menor intensidade. Não existem exceções e o tempo necessário para superar a crise vai depender da capacidade de cada país em voltar a normalidade, mas principalmente na capacidade do mundo voltar ao normal. As economias hoje são globais e países dependem de importações e exportações.

No Brasil a crise será ainda pior por conta da instabilidade política e a falta de um presidente no cargo, uma vez que este que lá está, não trabalha. Se o país já estava à deriva antes da chegada do Covid-19, agora está fazendo água por todos os lados, graças a esta turba fascistóide que sustenta esta família miliciana no poder.

Mas se nada está tão ruim, que não possa piorar, o Centrão, aqueles parlamentares de partidos nanicos, de siglas de aluguel, conhecidos como do baixo-clero, que pendem para o lado que mais oferece algo em troca de seus votos, agora estão sendo agraciados com cargos e afagos para darem seu apoio a Bolsonaro. Sem eles, não existe a menor possibilidade de um Impeachment.

Restaria o STF. Mais precisamente um processo por crime de responsabilidade. Crimes estes que se numerados, faltaria papel. Também lá, depois que seu atual presidente, Dias Toffoli, recebe Bolsonaro e sua comitiva de empresários para escutar suas lamúrias pelo isolamento social, nada se pode esperar.

Ao que tudo indica serão tempos muito difíceis para o Brasil. Em algum momento o Corona-19 vai passar, mas em seu rastro, não serão apenas as vidas perdidas para se lamentar. O maior lamento será como foi possível que deixamos isto acontecer, quanto tempo será necessário para recuperar o país enquanto esta gangue de criminosos continuar no poder, e o que virá depois dela.

 

 

 

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