ter. jun 2nd, 2020

Mauro Nadvorny & Amigos

A Voz da Esquerda Judaica

Dona Corona, Bibi e Gantz

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Todos sabemos que política é a arte de engolir sapos. O inimigo de hoje pode vir a ser seu melhor amigo amanhã, e vice-versa. Tudo que for dito hoje por um político, pode ser desdito amanhã sem o menor constrangimento. Ideologias e compromissos têm seu tempo de validade e funcionam de acordo com os interesses do momento. Assim é no mundo inteiro.

Israel finalmente terá um governo depois de 3 eleições consecutivas, e o grande vitorioso é Benjamin Nathaniel, o Glorioso. Seu maior opositor, Benny Gantz, líder do Azul e Branco, sucumbiu ao canto da sereia e fará parte do governo dele. Gantz acabou com o partido Azul e Branco e com qualquer chance de acabar com a liderança de Bibi que já se tornou o homem que por mais tempo foi primeiro-ministro de Israel.

Todo crápula tem uma desculpa moral para uma traição. A de Gantz foi de que o país está atravessando uma grande crise por conta do Corona. Segundo ele, esta situação trará consequências inimagináveis que exigem a união das lideranças acima de seus interesses pessoais para tirar o país da crise econômica que se avista. Uma quarta eleição seria um caos neste momento.

Gantz foi a esperança de uma mudança política em Israel. Nele foram depositados os votos para que cumprisse o que disse a nação quando mostrou que Bibi era um criminoso que em breve iria para a cadeia pagar por seus crimes de corrupção. Dezenas de vezes, olhando nos olhos de cada israelense afirmou e reafirmou que jamais sentaria em um governo com ele.

Sua traição, para quem apenas está chegando no mundo da política, praticamente encerra sua carreira. Atos desta natureza dificilmente são perdoados pelo eleitor. A desculpa do Corona não encontra eco em quem deu seu voto para ele. e Gantz Traidor é o que mais se escuta desde ontem.

Para se ter uma ideia da capacidade de Bibi em se manter no poder, em uma semana ele conseguiu adiar o inicio de seu julgamento para o mês de Maio, acabou com o maior partido de oposição e está praticamente conseguindo terminar com o que já foi o maior partido de Israel, o Trabalhista. Seu atual líder estaria sendo cooptado também para fazer parte do governo. Sim, Amir Peretz foi mais um que diss,e em alto e bom tom, que jamais sentaria em um governo com Bibi.

A população, ainda atônita com o Corona, que hoje, enquanto escrevo estas linhas, já infectou cerca de 3500 israelenses com 12 óbitos, prestes a entrar em Isolamento total, tenta medir as consequências de tudo isso. De um lado, a inevitável crise econômica que o vírus vai deixar depois de passar por aqui junto com o rastro de mortes. De outro, a busca por um novo líder capaz de unir a oposição a Bibi e desafiar o novo governo que ele formou.

Não se sabe quanto tempo vai levar para recuperar a economia. Nunca tivemos uma situação como esta. São milhares de pessoas desempregadas e negócios que podem quebrar. Será preciso muito dinheiro e talento para equilibrar as contas. Pessoas físicas e jurídicas fazem suas contas e todos temem pelo pior. Um ponto de equilíbrio vai surgir em algum momento, a pergunta é qual será o custo e em quanto tempo vamos voltar à normalidade.

Quando a poeira baixar, também vamos saber com exatidão quem são os que se venderam a Bibi, e quem permaneceu na oposição. Seu tamanho e sua representatividade ainda são uma enorme dúvida. Só aí será possível uma avaliação das consequências da traição de Gantz e quais os passos a se tomar.

Na minha visão, este governo não vai durar os quatro anos de mandato na forma como está sendo concebido. Não acredito que a rotação entre Bibi e Gantz vai de fato acontecer. O partido de Gantz ficou reduzido a cerca de 15 deputados, sua força diminuiu muito e sua única carta na manga hoje, é a possibilidade de derrubar o governo no caso de uma saída do governo. Hoje, porque agora Bibi tem tempo para cooptar mais adeptos ao seu mantra deixando Gantz cada vez mais irrelevante.

Sempre chamei o Azul e Branco de um Likud Gourmet. Pelo visto não estava muito errado em defini-lo desta maneira, apesar de haver muitos membros de centro esquerda. No entanto, a ala Likud prevaleceu.

Atualmente somente Bibi e a Corona estão se dando bem em Israel.

 

 

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