sáb. abr 4th, 2020

Mauro Nadvorny & Amigos

A Voz da Esquerda Judaica

Sem limites

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Temos na presidência um elemento que não conhece os limites do cargo. Pior, desconhece até mesmo qual é a função do chefe de estado de uma nação, do significado de ser o presidente do país, não de uma agremiação estudantil.
 
O sujeito tenta viver em sua zona de conforto e diante de qualquer sopro de questionamentos, perde completamente a compostura e parte para cima com uma virulência descabida e desproporcional. Este
comportamento é conhecido de longa data, muito antes de sua eleição. O linguajar de sarjeta, os ataques a desafetos e o uso da imunidade para poder exercer toda sua truculência e se manter impune eram suas características como parlamentar.
 
A todo momento somos tomados por um sentimento de vergonha que é superado a cada dia por mais uma desfaçatez. Não existem limites para esta pessoa emocionalmente instável, incapaz de fazer juízo de valor de suas atitudes. Sinceramente não sei o que o Congresso Nacional está esperando que aconteça para o remover do cargo. O que é que pode acontecer de pior que já não tenha acontecido.
 
Sim, podemos acreditar que nada que está ruim, não possa ficar pior, no caso de um Impeachment, seu vice, o General Mourão, assume o cargo. Neste caso, não que fique pior, é que o ruim pelo ruim, ao menos uma pessoa no cargo de presidente com um mínimo de compostura.
 
Pode-se dizer que o Mourão não preenche os quesitos políticos necessários para exercer a presidência. Vamos admitir que seja verdade, mas não estamos mais diante de uma eleição onde é possível fazer uma escolha. Estamos diante de um desastre anunciado eminente. Não existe institucionalmente dentro da democracia outra alternativa.
 
Enquanto os danos fossem apenas de credibilidade nacional, as Filipinas também possuem um presidente folclórico. Se fosse apenas pela guinada a direita, a Hungria também possui seu nazistinha. Nosso caso é muito pior. Ele está vendendo o país no varejo. Nossas riquezas estão sendo entregues de mão beijada. O país já criou um abismo entre os mais ricos e os mais pobres. Mas não é apenas a
distância entre eles que aumentou, são as condições que estão sendo impostas para que nunca mais possa diminuir.
 
A imensa informalidade criada, com o pomposo nome de empreendedorismo, é a formalização do surgimento de uma casta social incapaz de ascender socialmente pelas próximas gerações. Ao institucionalizarem a meritocracia, acabaram com as chances de um Brasil com menos desigualdades sociais. Agora sim estamos nos tornado uma pequena Suíça dentro de uma enorme Índia.    
 
Com a maioria da população sendo incapaz de poupar e de receber uma aposentadoria condizente no futuro, existe todas as condições de uma bomba relógio que vai explodir lá adiante. A classe média de hoje são os pobres de amanhã. E os pobres já estão caindo na miséria a olhos vistos.
 
O cara na presidência não possui a menor condição de compreender o que está acontecendo. Ele não tem cultura e nem intelecto capaz de enxergar o que se passa. É uma marionete na mão dos capitalistas que estão assaltando a nação pouco se importando com as consequências futuras.
 
O inimigo não está lá fora, ele está dentro de casa. Ele se tornou o inútil que é útil para os que tomaram o poder. Serve aa milícias e aos bancos. É bom para os pentecostais e os militares. É adorado pelos neoliberais e a ultradireita. Todos se divertem enquanto ela passa o seu tempo nas redes sociais adulando a si mesmo ou batendo boca com jornalistas nas esquinas do palácio de governo.
 
Impeachment agora, por que já é tarde demais.
 
“Se não eu por mim, quem por mim? Se eu for só por mim, quem sou eu? Se não for agora, quando?”. Hillel, o Ancião. Foi um rabino famoso que viveu no tempo de Herodes.

 

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