qua. abr 1st, 2020

Mauro Nadvorny & Amigos

A Voz da Esquerda Judaica

A esperança sorriu

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A esperança sorriu

Que semana foi esta? O The Intercept na voz
de seu cofundador, Glenn Greenwald, conseguiram trazer a luz tudo aquilo que já
se sabia, mas ainda não se tinha provas. Ao contrário do Triplex, que havia
muita convicção e prova nenhuma, agora se tem os diálogos que mostram de
maneira inequívoca o conluio entre Moro e os procuradores da Lava a Jato para
condenarem Lula.

Até domingo passado, o que já foi mostrado
já serviu para mostrar o que nos aguarda. Se este tira-gosto fez tremer a
República, imaginem o que ainda está por vir. Eu imagino e me delicio com isso.
Nós que estamos na resistência desde o golpe, e que antes dele sofremos pela
injustiça cometida contra Lula, pela primeira vez em muito tempo, podemos
sorrir. É aquele sorriso de vitória, de deboche mesmo, de escárnio contra estes
golpistas que venderam o país. A hora de vocês está chegando.

O senso de impunidade é o que derruba os
corruptos. Chega um momento em que eles se acham tão poderosos, que a lei é
para os outros. Vivem em mundo próprio, em uma realidade paralela. Nela são
heróis dos simples mortais. Não aquele herói contra a injustiça, mas aquele que
se diverte com a capacidade de ingenuidade do povo brasileiro. Aquele que
depois de perceber da capacidade intelectual de uma massa que acredita que Lula
era dono de um Triplex, compreende que qualquer coisa pode ser aceita como
verdadeira, inclusive uma Mamadeira de Piroca.

Vou recordar que o golpe branco no Brasil
foi orquestrado dentro do país e recebeu apoio logístico de fora. Dilma não era
uma líder simpática, mas a crise não foi culpa dela. A crise começou no dia em
que ela foi reeleita e Aécio Neves não aceitou a derrota. Este foi o momento em
que entramos no caminho que nos levou até aqui.

Moro foi um achado neste caminho. Um juiz
de primeira instância que chegou a Ministro da Justiça e tinha até domingo
passado, cadeira garantida no STF. Não se enganem, o cara tem mérito. É
incrível como um juiz medíocre como ele, foi aclamado por milhões de
brasileiros sob a bandeira da luta contra a corrupção. 
Percebam que tudo já
estava errado. Quem supostamente estava lutando contra a corrupção era o MPF.
São eles que supostamente estavam levando a cabo as investigações juntamente
com Polícia Federal. Eram eles que supostamente encontraram as provas que
levaram corruptos para serem julgados por Moro, que por sua vez, diante delas
os condenou. O que faria qualquer juiz que tivesse em mãos provas cabais de
culpabilidade.

Tudo estava errado desde o início. O
Impeachment da Dilma, todos sabiam que era uma injustiça. Até mesmo os que a
derrubaram que de tão constrangidos, ao contrário de Collor, permitiram que ela
mantivesse os seus direitos políticos. Mas não bastava calar Dilma, era preciso
acabar com o PT e para acabar com o Partido dos Trabalhadores, somente se
provando que Lula era corrupto.

Para tentar acabar com o PT, empurraram o
país para uma crise econômica sem precedentes. Empresas Multinacionais
Brasileiras que faziam concorrência com empresas estrangeiras foram acusadas de
corrupção. Não seus donos, as empresas. Eles fizeram a festa das concorrentes
levando as empresas brasileiras a bancarrota. O desemprego foi aumentando
exponencialmente, chegando hoje a 13 milhões.

Diante do culpado pela crise, o PT, agora
era hora de acabar com seu maior nome, o Presidente Lula. Primeiro foi tomada a
convicta decisão de que ele era “ladrão”. Sua vida pregressa e corrente, assim
como de seus familiares e muitos amigos, foi revirada de cima a baixo. Nada foi
encontrado, ou quase nada. Um apartamento que virou um Triplex foi a única
coisa que acharam que podia colar. Uma cota de compra de um apartamento com uma
cooperativa que quebrou, levando uma construtora, mais tarde envolvida com
corrupção, a assumir a obra. Dona Marisa visitou o imóvel, conheceu o que seria
um Triplex, e com isso se abriu uma fresta.

A coisa era tão absurda que os próprios
desembargadores acharam meio forçado. A ideia era dizer que o tal Triplex era
do Lula como pagamento por contratos obtidos por aquela nova construtora junto
a Petrobrás.

Sem qualquer prova de que o Triplex era de
propriedade de Lula e tendo escrito no processo que não havia relação com os
contratos da Petrobrás, ainda assim o condenaram. O tal Triplex era do Lula,
Lula era “ladrão” e vai para a cadeia.
Então surge um problema, Lula vai
participar das eleições e vai ganhar. Faltava o julgamento de segunda instância
no TRF-4. O que seria impossível para o cidadão comum que aguarda anos pela
justiça, o tribunal não só adiantou o julgamento para impedir que ele
participasse da eleição, como aumentou a pena na medida exata que levaria um
cidadão com mais de 70 anos a cumprir sua pena em regime fechado. Somente a
leitura do processo demandaria mais tempo para um julgamento real, mas a
realidade era outra.

Tenho muita esperança que a troca de
favores envolvendo o TRF-4 apareça nas reportagens do The Intercept num futuro
próximo. O que eles fizeram não pode ficar impune.

Eu sei que o judiciário foi cúmplice do
golpe. Não vou entrar no mérito do que os levou a compactuarem com isso. Jucá já
disse com todas as letras, “com Supremo, com tudo”. Acontece que esta casta
vive de aparências. Quando vestem aquela toga, se outorgam poderes divinos. Uma
mesma lei serve para absolver um amigo, e condenar um inimigo. Tudo é relativo.

Acontece que Moro desnudou a justiça ao
fazer justiça com as próprias mãos apertadas com as de Dallagnol. Ele trouxe a
luz, o que já se sabia, acontecia nas sombras. E ao fazê-lo ofendeu a todos os
juízes do Brasil. Aquela auréola de imparcialidade, de escutar as partes no
processo, de fazer justiça de acordo com a lei, tinha de ser preservada. Ela é
a base do sistema jurídico, pelo menos no papel. Agora a porca torceu o rabo.

Eu analisei profissionalmente o
esclarecimento de Deltan Dallagnol e o resultado pode ser lido clicando aqui.
O resultado fala por si mesmo.

A informação comprovada de que um juiz e um
promotor se acomunaram para condenar uma pessoa sem provas, foi ironicamente, a
melhor notícia que a resistência democrática poderia receber. Antes a gente
dizia que havia um Brasil antes do golpe, e outro depois. Hoje podemos dizer
que havia um Brasil antes das denúncias e outro que vai surgir depois delas.
Finalmente a esperança acordou e sorriu para nós. Obrigado The Intercept.

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