qua. fev 26th, 2020

Mauro Nadvorny & Amigos

Opiniões & Causas – A Voz da Esquerda Judaica

Um ser do mal a menos no mundo

4 min read
Sei que vou atrair a ira de parte da esquerda, mas vou dizer de qualquer maneira que hoje acordamos em um mundo um pouco melhor para se viver. Por razões que não vou entrar no mérito, os EUA mataram o Gen. Qassem Soleimani, chefe máximo da Força Quds, mais conhecida como a tropa paramilitar do clero iraniano, os Guardiões da Revolução.
 
Antes de qualquer coisa, vamos entender quem era este carniceiro que de um inofensivo operário da construção civil, se tornou um dos principais militares a dar sustentação ao regime clerical iraniano, e era ponta de lança das missões internacionais em outros países para dar sustentação a expansão Shiita do regime. Ele foi morto em Bagdá em uma missão de confrontar as forças americanas que ainda estão no Iraque.
 
Soleimani foi o responsável, entre outras coisas, pelo fim da Revolta Estudantil de Teerã 1999. Ela aconteceu antes dos protestos eleitorais iranianos de 2009, e foram um dos protestos públicos mais difundidos e violentos que ocorreram no Irã desde os primeiros anos da Revolução Iraniana.
 
A morte de cerca de 1500 civis nas recentes manifestações contra a alta dos preços, especialmente da gasolina, também tem a assinatura dele. O apoio ao regime de Assad na Síria e dos Insurgentes Shiitas no Iraque são políticas dele. Sua morte em território iraquiano não é por acaso.
 
Ele também ajudou a combater o ISIS no Iraque, o que o tornou um aliado momentâneo dos Estados
Unidos e das forças Kurdas. O ISIS, uma organização jihadista islamita de orientação salafita (sunita ortodoxa) e wahabita queria formar um Estado Muçulmano Sunita englobando territórios da Síria e do Iraque que seriam uma ameaça às pretensões hegemônicas Iranianas na região.
 
Soleimani apoiava militarmente o Hezbolah no Líbano e o Hamas em Gaza. Era um inimigo declarado
de Israel e fornecia armas para os dois grupos que pedem a sua destruição. Para ele Israel era um entrave aos planos Iranianos de influência nos regimes do Oriente Médio. 
 
Nesta sexta-feira, dia 02 de janeiro quando deixava seu jato vindo do Líbano, ou da Síria e entrava em um carro, um Drone Americano lançou um míssil que atingiu o alvo diretamente deixando os corpos dele e dos demais ocupantes praticamente irreconhecíveis, tal foi o impacto.
 
Uma pessoa ruim, é um mal para a humanidade e não importa o regime que sirva. O Irã não é um
regime democrático e os direitos humanos estão longe de serem respeitados. Manifestações contra o regime são duramente combatidas e normalmente com centenas de mortos e desaparecidos. As mulheres são obrigadas a cobrirem a cabeça e são impedidas até de coisas simples como assistir um jogo em um estádio de futebol. Homossexuais não são tolerados e podem ser presos e mortos a qualquer momento.
 
O Irã é uma República Teocrática Islâmica onde os poderes são supervisionados por um corpo de clérigos.  Líder Supremo ou Guia Supremo é o chefe de Estado eleito pela Assembleia dos Peritos (86 membros) para um mandato vitalício, em função dos seus conhecimentos de teologia islâmica. Ele também é o comandante chefe das forças armadas responsável pela nomeação dos comandantes do exército, marinha e aeronáutica, e é quem nomeia vários cargos importantes como, por exemplo, a principal autoridade do judiciário.
 
Para poder ser candidato a aprovação ao direito de concorrer a presidência do país, o candidato tem que ser iraniano Shiita. Ele é eleito por sufrágio universal. O parlamento de 290 membros também é eleito por sufrágio universal onde concorrem candidatos previamente aprovados pelo Conselho Supremo. Cinco cadeiras são reservadas aos representantes de minorarias como os judeus.
 
O Partido Comunista do Irã é proibido, a esquerda no país é totalmente clandestina e seus membros quando descobertos, são acusados de traição e condenados a morte. Não existe pluralidade ideológica de partidos políticos. A religião rege os costumes e as leis no país.
 
Então, se um cara como Soleimani, um servidor de um regime como este que trabalhava para o replicar em outros países foi se encontrar com o Diabo no Inferno, não quero saber quem o despachou, o mundo foi dormir com um ser abominável a menos.

 

Deixe uma resposta