qua. fev 26th, 2020

Mauro Nadvorny & Amigos

Opiniões & Causas – A Voz da Esquerda Judaica

Israel volta as urnas, e agora?

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Israel volta as urnas, e agora?

As eleições em Israel se repetem nesta terça-feira, dia 17 depois de Bibi não conseguir formar um governo nas eleições passadas e ao invés de passar a tarefa para outro partido, optar por dissolver o parlamento e com isto tentar novamente se manter no poder.

Ao que tudo indica pelas últimas pesquisas, o impasse não se resolveu e ele não vai ter maioria para formar um governo se vencer novamente. Aqui não quer dizer que o partido que tenha mais votos vá conseguir formar o governo. No parlamentarismo é preciso ter maioria com alianças de outros partidos. Elas normalmente não saem barato.

As opções de cada campo são conhecidas. O Likud já tem parceiros de outras eleições e o Azul e Branco ainda é uma incógnita com quem tentaria formar uma coalizão viável, se com a esquerda, com a direita, ou ainda um governo de coalizão nacional com o Likud, sem Bibi, e Israel é a Nossa Casa de Liberman.

Neste momento as pesquisas apontam que o Likud e o Azul e Branco estão chegando a 32 ou 33 cadeiras cada um. Com um percentual de 4,5% de margem de erro, qualquer um dos dois pode estar à frente.

Nos últimos anos o Likud deixou de ser um partido laico de direita, para se tornar conservador de direita. Os partidos religiosos deixaram de ser exclusivamente ligados aos assuntos religiosos para se tornarem também ideologicamente de direita. Eles são parceiros naturais do Likud e juntos chegam a 15 cadeiras.

Um novo partido que se chama Direita, formado por religiosos extremistas e laicos de estrema direita são apoiadores naturais do Likud e estão alcançando 9 cadeiras. Mas a surpresa está sendo o Poder Judaico, um partido de extrema direita que teve dois membros impedidos de concorrer pela Suprema Corte, estar ultrapassando a Cláusula de Barreira e neste momento chegando a 4 cadeiras. Algo como 140.000 israelenses concordam com suas ideias racistas e ultra-nacionalistas.

Do outro lado os trabalhistas e o Campo Democrático com o Meretz, tradicional partido de esquerda chegam com 5 cadeiras cada. Os dois, segundo as pesquisas, vem perdendo votos pra o Azul e Branco.

A Lista Árabe Unificada com 11 cadeiras depende principalmente da vontade dos cidadãos árabes saírem para votar. Se isso acontecer podem chegar a 15, ou mais lugares no parlamento. O problema é que se de um lado eles são oposição aos partidos de direita, o Azul e Branco também não aceitaria uma coalizão com eles.

Por fim, temos o Israel é a Nossa Casa. Eles estão no momento com 9 cadeiras. Liberman diz que não senta em uma coalizão que tenha partidos religiosos. Os partidos religiosos dizem que não sentam com Liberman e o Azul e Branco. O Campo Democrático diz que não senta com Bibi. O Likud diz que não forma coalizão que não tenha os religiosos. Os partidos Direita e o Poder Judaico só aceitam sentarem com o Likud se ele aceitar suas demandas. A Lista Árabe Unificada não senta com Bibi e aceitaria conversar com o Azul e Branco que afirma que não os quer no governo. O Azul e Branco diz que não senta com Bibi, mas aceitaria formar um governo com o Likud e Liberman.

Claro que existe o momento antes, e o depois das eleições. Tudo que foi dito antes, pode mudar radicalmente depois de acordo com as conveniências e aquela conversa pra boi dormir de “em nome da governabilidade”, “pelo desejo do povo”, “vamos fazer um sacrifício” etc.

Assim sendo dia 18 pode ser marcado por muitas surpresas. Diante deste quadro de incertezas ninguém está disposto a apostar no resultado final. Muitos já advertem para o desastre anunciado de uma terceira rodada eleitoral em caso de nenhum partido conseguir formar um governo. Tudo está em aberto a poucos dias das eleições.

Vale ressaltar que nas eleições passadas as pesquisas ficaram bastante aquém dos resultados finais. Somente um canal de TV apresentou um resultado de boca de urna mais próximo dos resultados finais. Por enquanto nenhum dos dois maiores partidos, de acordo com as pesquisas, tem maioria para formar uma coalizão sem abrir mão de seus princípios eleitorais. Aguardemos.

 

 

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