qua. abr 1st, 2020

Mauro Nadvorny & Amigos

A Voz da Esquerda Judaica

Mais uma vez

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Mais uma operação com a assinatura de Sharon deixa 8 palestinos mortos em Gaza. Mais uma vez civis, entre eles crianças, são atingidos pela incompetência do exército israelense. Logo o exército com os preceitos éticos e morais mais elevados do mundo, segundo o próprio Sharon teria dito ao presidente Bush.

A cada dia fica mais clara a intenção de Sharon em manter o estado de guerra indefinidamente. A razão disso é muito simples. Com um acordo de paz ele não permaneceria no poder um dia sequer. A economia está em frangalhos. O país está ficando a míngua. Investidores internacionais fogem de Israel. Produtos israelenses começam a ser boicotados nos mercados europeus.

Sharon precisa da guerra, assim como Arafat precisa do Hamas. A manutenção de Arafat no poder acontece unicamente por sua liderança na condução de seu povo rumo a um Estado Palestino. No dia em que surgir o Estado, Arafat ficará desempregado, e sem o poder. O Hamas mantém o terrorismo, logo não haverá paz.

O conflito hoje a despeito de todas as soluções apresentadas, permanece pela obstinação de dois líderes pelo poder. Sacrificam seus povos numa guerra bárbara e sanguinária em nome do poder. Fazem tudo para fomentar o ódio e assim se manterem em suas cadeiras rodeados pelo poder.

Já não é mais possível disfarçar o que ocorre nos territórios. Os colonos que mantinham o exército a seu serviço, agora desrespeitam até mesmo o ministro da defesa, quando reocupam terras de onde haviam sido retirados. Na verdade tudo não passa de um lindo teatro. O exército finge que retira os colonos, e os colonos fingem que o exército não os mandou sair de fato de Chavat Gilad.

Como se a subserviência do exército aos colonos não fosse suficiente nos territórios, em Gaza uma desastrada operação faz com que 3 tiros de tanque sejam disparados diretamente conta casas no acampamento de refugiados de Ráfia. Segundo fontes palestinas tiros para o alto foram disparados durante um funeral, como é de costume. Os soldados imaginando que estavam sendo o alvo, resolveram abrir fogo disparando com um tanque de guerra. Como não se pode confirmar qual das duas versões é a verdadeira, fica-se apenas com o resultado: mais civis mortos através de uma retaliação desproporcional por parte do exército israelense.

O Hamas, como faz habitualmente, já ameaçou vingar as mortes. Pode-se esperar por atentados em algum lugar a qualquer momento. Mais vítimas civis.

Quem ganha e quem perde com estas ações? Os grandes vencedores são Sharon e Arafat. Sharon porque finge que mantém a segurança de Israel, e Arafat porque finge que vai alcançar um Estado para o povo palestino. Mas os maiores perdedores somos todos nós. O povo israelense e o povo palestino. Todos perdem porque acreditam nestes líderes.

Cada dia perdido tem um nome. O nome deste dia leva todas as letras dos mortos pelo terrorismo de ambos os lados. As vezes ele é mais comprido que no dia anterior, outras vezes menos. Mas não passa um dia sequer em que ele não tenha algumas letras. São letras de nomes de homens, mulheres e crianças atingidas pelo apego ao poder destes líderes.

Tudo isto vai passar porque não perdemos a esperança. Depois de cada dia perdido surge um novo dia e com ele se renovam nossas forças para que ele seja o dia do fim da guerra. Talvez amanhã, ou depois de amanhã, mas com certeza logo chegará.

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