14/04/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Qual a saída a esquerda?

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Que dia foi este de 24 de abril de 2020 que vai ficar marcado muito mais pelo que se disse, do que pelo que se fez efetivamente. Não tenho recordação de um presidente reunindo seu staff superior para explicar em Rede Nacional a demissão de um ministro, um deles de meias e máscara facial, como deveriam estar os demais, ou mantendo um distanciamento de 2 metros, um do outro.

Bolsonaro já sangra. Está ferido e até mesmo suas explicações mais incisivas começam a diminuir o ímpeto. Talvez não estivesse acreditando até o final de que Moro se demitiria. Afinal de contas, ambos têm em comum um certo apego pelo poder de decidir as coisas. No entanto, egos que não se entendiam.

Dos dois, Moro foi o mais esperto, e é o mais perigoso. Moro soube chegar onde queria e até o momento acha que saiu por cima pavimentando seu caminho para disputar a presidência quando acontecerem novas eleições. Sequer se deu conta de que confessou crimes, mas conhecendo nosso histórico com Bolsonaro, quem se importa com estas questões pequenas?

Bolsonaro está cavando sua própria sepultura, acho que todos concordam com isso. Ele perde apoiadores dia a dia, sua reserva está terminando. Logo vai ficar sozinho como Collor nos seus últimos dias. Ou vai descer a rampa do Palácio por si mesmo, ou será obrigado a fazê-lo. Se até o dia de ontem ainda compunha com o Centrão para evitar o Impeachment, hoje ficou mais complicado.

Moro acaba de ficar desempregado momentaneamente. Perde também os privilégios que tinha como Ministro da Justiça e não pode voltar a ser juiz. Provavelmente vai receber uma oferta para lecionar em alguma Faculdade de Direito (pobre de seus alunos). Vai perder espaço na mídia. Um Impeachment precisa passar por todo o processo de acordo com a Lei, ou seja, meio ano, no mínimo. Aí entra o Mourão e carrega a faixa até 2022. Moro ainda será lembrado até lá?

A direita é como uma barragem cheia de furos vazando cada vez mais água. Ninguém mais para colocar os dedos e tampar os furos. O desmoronamento já é previsível. Mas o que acontece com a esquerda?

Hoje já ficou claro de que Bolsonaro foi eleito, muito mais por ser o maior anti-PT do mercado, do que por suas qualidades como parlamentar, ou suas propostas como candidato. Mesmo com todas as defecções que vem acontecendo, o motivo da sua eleição ainda está presente. Não se trata de ex-bolsonaristas se declarando petistas e abrindo voto para Lula (se ele for candidato). Trata-se de arrependidos que, por hora, vão buscar outro candidato com a mesma afinidade “anticomunista”.

Com tudo o que está ocorrendo ainda não existe uma Frente Ampla de esquerda. Não conseguimos uma unidade de linguagem e de propostas para voltar ao poder. Precisamos apontar o caminho, discutir propostas e nos unirmos em torno de uma mesma bandeira. É uma ilusão imaginar que os neoliberais não aprenderam com seus erros. Eles continuam vivos e fortes.

Em termos financeiros eles não tem limites de gastos para uma corrida presidencial. Sua capacidade de reunir fundos para todo tipo de campanha, seja ela legal, ou ilegal, é infinita. Sabem jogar sujo e vão continuar jogando assim. Não será fácil combater tanto poder econômico.

A pandemia vai deixar um rastro de mortos e economia arrasada. Quem será capaz de lidar com isso e de que forma, esta é a questão central do debate político que se avizinha. O neoliberalismo já está mostrando sua força. Demissões e diminuição de salários, para eles, é a melhor fórmula para salvar as empresas e consequentemente a economia.

A esquerda não está sabendo passar sua mensagem. Não adianta somente falar o óbvio, é preciso sair da posição cômoda de oposição que aponta os dedos, para um papel de maior relevância. Temos de apontar saídas factíveis numa linguagem clara e objetiva. Assim, ou vamos assistir um “Moro” da vida se elegendo o próximo presidente do Brasil.

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