27/01/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Precisamos falar sobre Bolsonaro

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Brasília(DF), 17/04/2016 - Votação do impeachment ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados - Na foto o deputado Jair Bolsonaro - Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

Atualmente estou vivendo em Israel. Acreditem quando eu falo que não precisamos de ninguém para nos dizer o nome da nossa Capital, principalmente quando são pessoas que não estão interessadas no fim do nosso conflito com os Palestinos. Nós precisamos de líderes de países amigos que contribuam para a paz.

Mas as eleições são no Brasil e são os problemas nacionais que precisam de atenção. Neste momento estamos diante de uma escolha que vai determinar se o país retoma o seu crescimento, ou se ele se torna um pária entre as nações.

A escolha é entre a civilização e a barbárie.

Eu tenho na família duas familiares gays, uma sobrinha de sangue e outra de coração. Ambas são pessoas maravilhosas e já estão vivendo um pesadelo nas ruas. Eu acho que vocês vão concordar comigo que o que importa não é o gênero do ser humano, mas o seu caráter. No entanto, não isso que o Bolsonaro pensa. Ele prefere um filho morto, do que um filho gay.

Tenho muitos amigos negros, um deles juiz aposentado por quem tenho a maior admiração. Eles já estão sentindo os olhares nas ruas de desdém, vendo as pichações contra os negros e se sentem temerosos. Acho que todos nós pensamos da mesma forma, a cor do ser humano não significa nada, somos todos iguais. Bolsonaro não pensa assim, ele acha que os negros são inferiores e pouco adeptos ao trabalho. Nem para procriar servem.

Tenho uma esposa e duas filhas. Todas elas mulheres que contribuem para a sociedade, cada uma a sua maneira. Minha esposa como nutricionista, uma das filhas como advogada e a outra como Chef de Cozinha Vegana. Todos temos mãe e muitos também são pais de filhas tenho certeza de que concordamos que elas não foram fruto de uma fraquejada, ou que mereçam um salário menor do que os homens. Bolsonaro não pensa assim. Ele também tem uma filha e disse que ela foi fruto de uma fraquejada e que as mulheres, como trabalham menos por serem as portadoras da vida, merecem ganhar menos. Dona Olinda Bonturi Bolsonaro, a mãe do candidato deve estar envergonhada das palavras de seu filho.

A humanidade condenou o Nazismo e não esquece o Holocausto, o assassinato de seis milhões de judeus sendo um milhão e meio de crianças. Não é de admirar que Bolsonaro tenha dito em um programa de TV que se tivesse vivido naqueles dias teria se alistado no exército alemão.

Tudo isso está documentado e pode ser escutado e visto em vídeos pela Internet.

Talvez a sua preocupação seja com o Partido dos Trabalhadores, com a corrupção ou o comunismo.

Bem, me permitam argumentar o seguinte: mesmo o PT governando o país por cerca de 14 anos continuamos sendo uma democracia presidencialista com eleições livres. Corruptos de todos os partidos estão sendo processados e muitos já estão cumprindo sentenças nas prisões graças às leis contra a corrupção criadas em um governo do PT.

A Venezuela de quem tanto falam, teve um militar eleito chamado Hugo Chaves, admirado por Bolsonaro. Foi um militar que levou aquele país a situação em que ele se encontra hoje. Bolsonaro é um militar e seu vice também. Estamos mais próximos de nos tornar uma Venezuela com eles no poder do que com um civil na presidência.

Todos devem lembrar ou estudaram sobre Ditadura Militar e aqueles anos sombrios quando não existia liberdade de expressão e a censura nos mostrava um país que não era a nossa realidade. Não existe nada melhor do que a democracia e ela precisa ser preservada. Não será um presidente preconceituoso e inexperiente que trará paz ao Brasil, pelo contrário, só podemos esperar dele mais ódio entre irmãos e uma ruptura democrática para se manter no poder indefinidamente.

Nosso país precisa de paz, de empregos, de mais segurança e melhor sistema de saúde. Convenhamos que um professor, administrador experiente tem muito mais capacidade de lidar com estes problemas do que um militar que foi expulso do exército por ato de insubordinação e que nunca administrou nada em sua vida.

O Brasil já está vivendo nestes dias um exemplo do pesadelo em que pode mergulhar com a eleição de Bolsonaro. Homossexuais, negros, judeus e simpatizantes da candidatura Haddad e Manuela estão sendo atacados e já ocorreram mortes. Ao invés de uma condenação veemente de Bolsonaro contra estes atos, ele apenas lava as mãos dizendo que não pode ser responsabilizado pela atitude agressiva e assassina de seus partidários. Eu penso que nenhum de vocês gostaria de ver uma pessoa assim presidindo o país.

Entendo que muitos de vocês possam ter votado nele no primeiro turno. Mas agora é a hora de refletir sobre tudo o que eu disse, se informar melhor e mudar o seu voto. Vem para Frente Democrática.

Vamos votar em quem respeita as mulheres, respeita a diversidade e abraça os brasileiros de todas as cores e de todas as religiões. Não aceitem o fascismo. Vamos continuar sendo um país democrático e com eleições livres elegendo Haddad e Manuela. Vote 13.

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