23/07/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Pela Vida

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Os recentes acontecimentos em Cuba, com a execução de 3 homens que seqüestraram um barco para tentar alcançar Miami, e a condenação de 78 dissidentes a elevadas penas de prisão, trazem a tona algumas igualdades de pensamento entre esquerda e direita.

Cuba sempre teve um significado mágico para a esquerda. Uma pequena ilha socialista situada de frente para a maior potência capitalista mundial. Seus habitantes, não obstante todas as mazelas de um terrível embargo econômico, continuaram firmes em seu sonho de construírem uma sociedade mais justa economicamente, e igualitária do ponto de vista humano.

Tudo isso foi maculado pela decisão do regime em mostrar sua face mais aterradora. A falta de liberdade para ir e vir, além da censura a livre expressão fizeram com que cidadãos cubanos sofressem as conseqüências de anos de um partido único, onde o poder, os amigos e a família se confundem, como em todas as ditaduras.

O intrigante foi à defesa de muitos homens da esquerda para justificar as execuções. Todo país tem o direito de aplicar penas capitais para terroristas bradaram. No entanto, são os mesmos na linha de frente que condenam Israel pelos assassinatos seletivos nos territórios ocupados.

Mais intrigante ainda foi à condenação por parte da direita. Trata-se de mais um crime bárbaro por parte da ditadura cubana, protestaram. No entanto são os mesmos na linha de frente que justificam Israel pelos assassinatos nos territórios ocupados.

O que poderia parecer estranho à primeira vista, mostra-se perfeitamente compreensível quando se percebe que os extremos se confundem. Nada pode servir de justificativa para penas capitais. O homem não pode ter o direito de tirar a vida de seus semelhantes sob nenhuma circunstância. Ao se permitir uma única exceção, estamos condenando toda a humanidade ao mesmo fim.

O Planeta Terra jamais será considerado um lugar civilizado enquanto persistirem as guerras como solução de conflitos e as condenações à morte de seres humanos. A vida é o bem maior que a natureza nos presenteou e tudo deve ser feito em prol de sua preservação. Este deveria ser um princípio para todos os homens, sejam de esquerda ou de direita.

Todos nascemos iguais. As diferenças ou nos são ensinadas, ou nos são impostas. O preconceito não existe em nenhuma criança do mundo. Somos nós que criamos as diferenças. Elas acontecem nas classes sociais, cor da pele, sexo, opção sexual, religião, posições políticas etc. Muita coisa serve para nos diferenciar e acreditar que o outro seja o errado, o diferente, o desprezível.

A falta de coerência destas posições é que demonstram de forma cabal como estão equivocadas. Assim é com parte da direita judaica que condena o nazista Elwanger mas justifica os seguidores do fascista Kahane. O mesmo com parte da esquerda judaica que condena os assassinatos nos territórios ocupados mas justifica as execuções de colaboradores palestinos por parte da AP.

Quando se firma uma posição pela vida e da transformação do planeta em um mundo melhor, é preciso uma atitude em favor de todos os seres humanos sem exceções. O conceito de uma só raça, a humana, que já começa a ser compreendida, deve ser a força motriz desta transformação. O fim do preconceito e a negociação como única forma de resolver conflitos devem ser os mecanismos para se alcançar este objetivo.

A hora é esta, o momento é agora. Pense nisto.

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