18/04/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Para refletir

5 min read

 

É incrível como aparecem historiadores, filósofos e opinantes genéricos para falarem do conflito árabe-israelense, que agora foi reduzido ao conflito palestino-israelense.

Em geral, os ditos de esquerda, sejam por assim se considerarem, seja porque costumam publicar em sites e blogs de esquerda, logo são tratados como porta vozes de toda a esquerda, algo do tipo, chefes da casa civil do governo de esquerda na oposição. Até parece que já temos uma Frente Ampla e eles são os que falam pela frente em relação a Israel.

Hoje existem de fato, duas situações distintas e é preciso diferenciá-las. Um governo palestino chamado de Autoridade Palestina, liderado pelo Fatah na Cisjordânia. A Fatah era o maior grupo terrorista palestino e comandava a Organização para Libertação da Palestina (OLP) que ficou conhecida pelos inúmeros atentados que causaram a morte de centenas de israelenses. Seu líder já falecido foi Yasser Arafat. A OLP desistiu de promover a destruição do Estado de Israel.

A Autoridade Palestina é reconhecida por muitos países como o governo palestino que já possui embaixadas em muitos países, inclusive no Brasil. A Cisjordânia é divida em 3 áreas e cada área tem um tipo de autonomia diferenciada. Existe um parlamento palestino eleito. A AP é conhecida por inúmeros casos de corrupção e apropriação de ajuda monetária em benefício de poucos. A sociedade é laica e as mulheres possuem um alto grau de liberdade e direitos. O homossexualismo não é aceito e os membros desta comunidade precisam esconder seu gênero para não serem perseguidos.

Existe também Gaza, um território pequeno espremido entre Israel, Egito e o mar onde vivem cerca de 1,5 milhão de pessoas governadas pelo Hamas. Diferentemente da AP, o Hamas não é reconhecido por nenhum país como um governo palestino e consta na lista de organizações terroristas. Israel controla tudo o que entra e sai de Gaza, mas é a AP quem paga o que eles recebem. A eletricidade é um bom exemplo. A usina elétrica de Gaza funciona a Diesel e ele precisa ser comprado e pago. Quem paga por ele geralmente é a AP, e quando ela não paga, ou dependendo do que ela está disposta a pagar, isso se traduz no número de horas de eletricidade disponíveis para a população. O Qatar acaba de fazer uma doação para aumentar o número de horas com luz.

O Hamas nos últimos meses tem permitido manifestações violentas na fronteira. Não vou entrar no mérito da justificativa para que elas aconteçam. O fato é que invariavelmente tentam atravessar a fronteira, jogam pedras e pequenos artefatos explosivos contra os soldados postados do lado de Israel e por fim a reação militar acaba em mortes do lado palestino. Foram centenas de mortes e um número maior de feridos e inválidos evitável.

Não são somente manifestações. Os palestinos de Gaza se deram conta que os ventos procedem do Mar para o Continente e por isso soltam balões com um artefato incendiário que provoca chamas ao cair no solo. Foram milhares de incêndios com enormes prejuízos tanto financeiros, como a natureza com a perda de árvores e a morte de animais silvestres. O Hamas nada faz para impedir isso.

Ao contrário da AP, o Hamas luta pela destruição do Estado de Israel. Nesta semana assistimos ao confronto que durou 24 h. Uma operação secreta de Israel em Gaza foi descoberta e levou a morte de um Coronel do exército israelense e de sete palestinos, entre eles, um comandante do Hamas. Logo começaram a chover foguetes sobre Israel. Estes foguetes são jogados para caírem nas cidades próximas. Possuem somente propulsão para voarem por cerca de 5 km até caírem. Quando atingem o solo causam uma explosão suficiente para causar enorme estrago em um raio de 50 metros e a morte de pessoas que estiverem próximas. O objetivo é este.

Israel também bombardeou Gaza, mas de maneira a não causar vítimas civis. Os prédios que estão listados como objetivo militar são marcados e os moradores do local avisados por telefone para deixarem suas casas. Antes do ataque, explosivos de pequeno poder são lançados antes do bombardeio final. Assim, por exemplo, aconteceu com o prédio da TV.

Nas eleições legislativas de 2006, o Hamas ganhou e formou um governo de unidade com o Fatah. Em 2007 o Hamas em Gaza resolve expulsar o Fatah e assume o poder do território. A AP em contrapartida remove o cargo de primeiro ministro do Hamas na Cisjordânia.

Não existem santos neste conflito. Todos fazem vista grossa ao desrespeito dos direitos humanos e o fazem em nome de um nacionalismo xenófobo.

Israel mantém uma política de colonização onde já existem cerca de 600.000 colonos convivendo com cerca de cinco milhões de Palestinos na Cisjordânia. Num eventual acordo de paz que leve a criação de um Estado Palestino de fato, a ideia é de troca de territórios, com Israel cedendo terras para compensar aquelas onde vivem colonos.

Ataques de atropelamentos, com armas de fogo ou esfaqueamento de civis e soldados, tanto nos territórios ocupados da Cisjordânia, como dentro de Israel, perpetrados por palestinos continuam ocorrendo. Israel trata os perpetuadores como terroristas, mas muitos sequer têm afiliação política. Em todos os casos, as casas onde vivam são destruídas. Quando os ataques partem de colonos envolvendo vítimas fatais palestinas, nada acontece com as casas onde viviam. A destruição de propriedade de palestinos de parte de radicais religiosos (não são considerados terroristas) é constante e nenhuma investigação séria é realizada.

Existe uma política totalmente diferenciada no que concerne a penas para o cometimento de crimes por parte de judeus e palestinos. Assim, um judeu que mata um palestino terá uma pena de alguns meses de prisão. Já um palestino que cometer o mesmo crime será condenado à prisão perpétua. Da mesma maneira um judeu que escrever morte aos árabes na sua página do Facebook, não será incomodado. Já um palestino que escreva morte aos judeus, poderá pegar uma pena de 10 anos de prisão.

Ainda assim, existem muitos movimentos pela paz e a reconciliação. Ironicamente eles são em grande maioria formado por israelenses, alguns com participação de árabes israelenses, e quase nenhum no campo palestino.

Existe muita injustiça, mas também existe muita gente tentando mudar isso. A quase totalidade delas está no campo da esquerda. São elas as principais lideranças do Campo da Paz. Este é o meu campo.

Deixe uma resposta