16/04/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Para não dizerem que não falei de Decotelli

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Durante uma semana ficamos sabendo quem seria o novo ocupante do MEC e a seguir de sua demissão do cargo. Carlos Alberto Decotelli da Silva teve uma passagem “celeríssima” pelo governo Bolsonaro.

Eu não me importo com a cor da pessoa, mas com o seu caráter, sua honradez, sua capacidade de trabalho, sua honestidade etc. Ele não foi o único ministro do atual governo a mentir em seu currículo, mas foi o mais destacado deles até pedir para sair.

Tenho certeza de que seus amigos e alunos, ao menos os que se dispuseram a dar entrevistas, foram sinceros ao dizerem que se tratava de uma ótima pessoa, muito querida e excelente professor. Com certeza, sua família, além dele próprio sofreram muito com todo o episódio.

O fato é que nada justifica uma fraude. O que ele fez em seu currículo se chama Crime de Falsidade Ideológica e, se quisesse, o MP poderia abrir um processo contra ele. Não se pode atribuir diplomas de cursos não completados, de trabalhos não realizados e de universidades não frequentadas.

Decotelli foi muito ingênuo ao achar que poderia assumir o cargo do até então pior ministro da educação da história do Brasil, que acabava de fugir para os EUA usando um passaporte diplomático que não tinha mais direito, sem ter sua vida escrutinada. Parece ter ficado ébrio com o convite.

Não tenho dúvida que servir como ministro ao país é uma grande honra para qualquer um. Mas vamos falar sério. Uma coisa é servir de ministro em uma ditadura, outra coisa numa democracia. E mesmo em uma democracia, uma coisa é servir a um governo popular, outra a um governo fascista. Muita gente não tem o menor discernimento.

Existem outros ministros que mentiram descaradamente em seus currículos que haviam estudado em Harvard. Foram motivo de piada, corrigiram o erro e se mantiveram no cargo. Decotelli foi um pouco exagerado. Cometeu plágio e também escreveu possuir títulos inexistentes. Começou mal e terminou pior ainda.

Em um governo cheio de estrelas nazistas, de crentes na Terra Plana, adoradores de Trump, adeptos das teorias da conspiração, como a do Covid-19 ser um vírus criado para os comunistas dominarem o mundo, tudo agora é visto com uma lupa. Se mais alguém acha que pode entrar para este governo com qualquer manchinha no passado ser esquecida, perca as esperanças. Sua vida será revirada ao avesso.

O exemplo Decotelli acabou se tronando didático. Imagino que o Lattes nunca teve tanto acesso de pessoas “corrigindo” erros cometidos. É bom que o façam, de farsas e mentiras neste governo, já chegamos ao limite do tolerável.

A classe dos professores foi maculada por um dos seus. Nenhuma classe está a salvo de pessoas assim. Creditar-se ter alcançado na vida aquilo que era desejo, sem ter cumprido as atividades formais, ou ter sido reprovado nos trabalhos, não é algo que a gente esperava de um professor. Muito menos de um economista. É como se ele tivesse trapaceado nas contas.

Bolsonaro consegue errar em absolutamente tudo o que faz. Até na nomeação de um ministro o cara não acerta. Era de se supor que lhe são trazidos nomes que passaram por todo tipo de exame e seriam todos ilibados. Nada disso. Em um governo sem presidente a altura do cargo, são estas baixarias que vamos seguir assistindo.

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