03/08/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Os novos heróis

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Nas águas de março há lágrimas pelos mortos na pandemia. Para cada morto tocam sinos silenciosos, ainda assim os frios, indiferentes, não se tocam. A nova guerra que o país e o mundo enfrentam é contra os vírus e a vitória vai tardar, mas chegará. Tem países que avançaram mais, vacinaram cedo, já outros seguem lentos, com pouca vacinação, poucas medidas profiláticas. O ser humano leva tempo para confiar nas ciências, muitos a negam, desprezam o conhecimento. Há um sentimento de apatia diante da crueldade, uma das dimensões da pulsão de morte. Outro aspecto da poderosa pulsão são as mortificações, expressa em lamentos, são os perseguidos pelos sofrimentos. Também há os que negam a morte, festejam e depois morrem por covid como contou uma mãe sobre a morte do seu filho.
O conhecido cientista Miguel Nicolelis disse à “El País” no dia 04/03/21: “O país está entrando numa guerra explícita e podemos ter a maior catástrofe humanitária do século XXI”. Faz a previsão que podem morrer de duas a três mil pessoas por dia e isso porque em 2020 o governo brasileiro não comprou uma só vacina! Já o fundador da Anvisa, Dr. Gonzalo Vecina Neto, médico sanitarista e ex-secretário Nacional de Vigilância Sanitária, afirmou que se o Brasil tivesse vacina, o Sistema Único de Saúde poderia imunizar até 60 milhões de pessoas por mês. Entretanto, nada disso ocorre, o sistema de saúde do país colapsou.
No meio da brutalidade brasileira, ainda se abrem tempos de delicadeza. Os trabalhadores da saúde hoje arriscam suas vidas para salvar vidas, são os novos heróis, eles estão na linha de frente. Não é preciso mais tanques, metralhadoras, aviões/portaviões. Os inimigos hoje são os vírus e contra eles o país precisa de vacinas já. Tem outras armas essenciais para se evitar as mortes, que os médicos competentes do mundo defendem: máscaras, distanciamento, higiene das mãos. Essas são as recomendações de todos infectologistas, e epidemiologistas. O país durante um ano de pandemia quase não seguiu as ciências, ao contrário.
O Presidente e seguidores não usaram máscaras, desprezaram as vacinas e se aglomeraram. São os aliados do vírus porque estimularam sua propagação, com condutas de descaso dos conhecimentos mundiais de combate ao vírus. Foi uma política de morte que multiplicou as mortes.
O governo devia ter comprado setenta milhões de vacinas no ano passado, mas desprezou a pandemia, e essa atitude é definida, pelos especialistas, como sendo fatal. O Presidente várias vezes a debochou dos que choram por seus mortos chamando de maricas, de até quando vamos chorar? Já as poderosas Forças de Segurança silenciaram diante da nova guerra, assim como as associações da saúde. O Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde, vive uma tragédia que nessa última semana chegou a onze mil novecentos e trinta e cinco mortos. É o país que hoje mais morre gente por covid e assim podemos chegar a trezentos mil mortos em menos de três semanas.
Para preservar a humanidade, os mortos precisam ser lembrados, os sinos silenciosos devem tocar. Os heróis hoje na guerra, não são os militares, os heróis são os trabalhadores da saúde. E convém expressar gratidão aos que praticam o amor e não o ódio.
P.S. O manifesto “Vida acima de tudo” CARTA ABERTA À HUMANIDADE é assinado por: Chico Buarque de Holanda, Dom Mauro Morelli, Leonardo Boff e muitos milhares mais, escreveram que o Brasil é hoje uma câmara de gás a céu aberto.

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