19/01/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos – Martin Luther Kink

4 min read

Escutamos a exaustão que o Hamas é um grupo terrorista que ameaça destruir Israel, o que está em seus estatutos e portanto não há dialogo possível. Dito assim, quem não seria simpático a Israel?

O Hamas já lançou mais de 3.000 foguetes contra a população civil de Israel. Como não ser simpático ao legítimo direito de defesa?

Se alguém estivesse em coma e acordasse com estas notícias, certamente pularia da cama para se alistar e ajudar a defender a única democracia do Oriente Médio, o lar nacional dos judeus tão perseguidos durante a história e agora diante de um inimigo implacável.

Tudo o que foi dito é verdade, mas apenas um aparte dela. O que não é dito, aquilo que é omitido propositadamente, manipulado como algo que deve ser menosprezado, é a origem de tudo isso.

Se o que estamos assistindo hoje, estivesse acontecendo há 47 anos atrás, hordas de voluntários de todo o mundo estariam chegando a Israel para ajudar no esforço de guerra. Milhares de judeus, e não judeus estariam levando sua solidariedade a Israel. Na verdade foi justamente o que aconteceu em 1967.

Ainda em 1973, na guerra de Yom kipur, quando Egito e Síria nos atacaram durante os festejos do dia mais sagrado do calendário judaico, o Dia do Perdão, recebemos ajuda. As laranjas precisavam ser colhidas, os homens estavam nas frentes de batalha, então milhares de voluntários acudiram Israel.

Desde então, lentamente um processo de ocupação teve inicio. Um kibutz aqui, uma colônia ali e hoje cerca de 400.000 colonos judeus ocupam terras palestinas na Cisjordânia. O mundo assistiu e consentiu enquanto os palestinos através da OLP executavam atos terroristas para tomarem de volta não somente a Cisjordânia, mas toda Israel para a criação de seu estado.

As coisas mudaram, a OLP reconheceu Israel e se dispôs a aceitar seu Estado na Cisjordânia e em Gaza. Israel não mudou. Ano a ano, mais colônias, mais usurpação de terras, mais exigências intermináveis. Desta vez o mundo não se calou e as mesmas hordas que acorreram a Israel para ajudar, agora pedem que Israel se retire dos territórios e permita a criação do Estado Palestino.

Israel se retirou de Gaza em 2005. Uma retirada unilateral, ou seja, sem nenhum acordo, sem negociação. Gaza foi se transformando em uma terra de ninguém. Em 2007, o Hamas expulsou o Fatha e tomou o poder. Uma resposta ao golpe do Fatah na Cisjordânia depois de terem ganho as eleições.

Desde então um território com 1,8 milhão de habitantes em 360 Km quadrados foi transformado em uma prisão a céu aberto . Nada entra, nada sai. Ninguém, entra ninguém sai. Seja por terra, mar ou ar sem o consentimento de Israel. Assim começaram os túneis.

O Hamas tem um braço armado e um braço político. Assim como o IRA na Irlanda. A Inglaterra negociou com o Ira, portanto não seria nenhuma afronta a dignidade se Israel negociar com o Hamas.

Vamos ser honestos. Esta guerra é como colocar um anão para lutar com o Minotauro no Octagonal. O Hamas não tem a menor capacidade de ameaçar Israel. Sim eles já jogaram mais de 3000 foguetes. Qual foi o estrago? Quantas mortes? Claro que nenhum país, por mais pacífico que seja vai suportar ataques diários destes sem reagir. Mas como reagir?

Uma maneira seria atacar a causa de tudo isso, a ocupação dos   Entrar em negociações que levem a criação do Estado Palestino. Outra é despejar bombas de 1 tonelada sobre esta área densamente populosa, matar mais de 1600 pessoas, 80% civis e entre eles cerca de 300 crianças (e os números continuam subindo).

Infelizmente Israel fez a sua escolha. Deste governo eu não poderia esperar nada diferente. Seus pares não acreditam que ocupam os territórios, eles habitam o que nos foi dado por Deus.

Eu espero que desta vez o mundo não se omita. Que as pessoas não se omitam. Que ao calar dos canhões todos pressionem por negociações já! De outra forma, o cronômetro da Senhora Morte  será ligado e será só uma questão de tempo para o próximo conflito.

 

Deixe uma resposta