16/04/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

O preconceito nosso de cada dia

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Agora eu virei ‘boiola’. Igual maranhense, é isso?. Guaraná cor-de-rosa do Maranhão aí, quem toma esse guaraná aqui vira maranhense“.

Este é o presidente do Brasil fazendo o que mais sabe, emitir preconceitos na forma do que ele chama de “brincadeira”, algo para não se levar a sério. Sem o menor constrangimento ele segue sendo o que sempre foi e fazendo exatamente o que disse que faria como presidente, nenhuma novidade nisso.

Quando li a notícia, além da vergonha nacional e internacional que isso representa para mim como brasileiro vivendo no exterior, me lembrei das razões pelas quais limpei minha lista de amigos durante as eleições, incluídos nela parentes e conhecidos virtuais.

Tem gente que sempre fez este tipo de comentário, mas a gente achava que era só uma brincadeira, como diz o presidente, até que não mais. Houve um tempo para se perceber o quão errado e impróprio são estes comentários. Quem cresceu e percebeu isso, imediatamente parou de fazê-los. Quem continua não está mais fazendo uma “brincadeira”, está destilando ódio e preconceito contra as minorias. Não os quero próximos.

Nas últimas eleições, a despeito de todos os avisos e alarmes, a barbárie venceu a civilização. O Brasil vive um retrocesso civilizatório sem precedentes na sua história. Nem na ditadura o país teve um milico parecido com este presidente em termos de comportamento inconveniente. O único episódio do qual me recordo foi em 1978 quando o General Figueiredo que viria a se tornar presidente, disse preferir o cheiro de cavalo ao cheiro de povo. Na verdade o fato ocorreu assim: um repórter perguntou se o futuro presidente gostava do “cheiro do povo”, ao que ele respondeu “o cheirinho do cavalo é melhor (do que o do povo)”.

A barbárie social já assola o Brasil há tempos, o crime tomou conta das ruas. A fome voltou e milhares de brasileiros não tem o que comer. Se isso não fosse o suficiente, a pandemia deixou milhões desempregados. Milhares de pequenos negócios faliram.

Grupos supremacistas brancos, nazistas, os camisas verdes Integralistas e todo tipo de aberração racista vieram a público. Saíram do esgoto e agora andam a céu aberto propagando seu ódio sem serem molestados. O país conhecido pelo samba, futebol e seu povo hospitaleiro ficou na lembrança. Agora somos apontados como a terra do presidente idiota que permite a queima das florestas e que não acredita na existência do Covid-19.

Esta semana teremos eleições nos EUA, e talvez um dos maiores expoentes desta corrente fascista que chegou ao poder em muitos países, esteja sendo mandado para  casa. Trump não deve se reeleger deixando órfão seu maior admirador no Brasil, o único presidente do mundo a bater continência saudando a bandeira americana.

Depois do México, a Argentina disse não ao neoliberalismo. Agora a Bolívia se recuperou do golpe e disse sim ao socialismo. Os chilenos disseram sim por uma nova constituinte e assim vão se livrar das leis draconianas que dividiram o povo em duas classes sociais, os muito ricos e os muito pobres.

Os regimes de exclusão social chegaram ao fim para estes irmãos latino-americanos. Quando é que este gigante chamado Brasil vai acordar? Quando é que esta família miliciana será escorraçada e devolvida para o inferno?

Levanta Brasil!

 

 

 

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