19/01/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

O contágio do bem

3 min read

Um ano de Covid-19 e finalmente estamos prestes a receber a vacina. Tudo o que desejamos é ter de volta nossa vida de antes. Neste caso lamento informar, mas nada será como antes, nossas vidas mudaram e precisamos aceitar.

Uma das piores consequências da pandemia for ter transformado a vida de milhões de famílias comuns, normais, ativas em um inferno da noite para o dia. Algumas afetadas  pela perda de entes queridos, outras pela falência de seus negócios e muitas pelo desemprego.

Muitas delas  tiveram a sorte de serem acolhidas por seus familiares, mas existem aquelas que não tiveram esta sorte e não importam as razões para isso, mas o fato em si. Pessoas que de repente se viram sem nenhum provento. Como pagar o condomínio, como pagar a escola das crianças, a operadora da TV, a operadora da linha de celular, a gasolina do carro, etc. Como pagar a conta no supermercado para ter o que comer?

Esqueçam o cinema, comer fora, um sorvete, um vinho, um show, uma viagem, tudo acabou. Sem emprego, começaram a consumir as reservas, depois a venderem o que era possível vender, até que chegaram ao fim da linha. Não há mais por onde. Começaram a fazer dívidas e logo isto virou uma bola de neve. Logo estouraram os limites da conta no banco, do cartão de crédito e começaram a chegar as ligações dos cobradores.

Esta é a situação de milhares de pessoas que hoje precisam de ajuda. E por incrível que seja, algumas sequer sabem como pedir, ou pior, não conseguem superar a vergonha de fazê-lo, como se a culpa fosse delas. Acham que pedir ajuda é uma humilhação.

No mundo inteiro, milhares de empregos desapareceram. Tudo que está ligado ao Turismo e ao Entretenimento sofreu um golpe violento. As quarentenas acabaram com muitos negócios de rua e nos Shopping Centers. Nem todos tiveram como manter seus comércios permanecendo fechados por longos períodos. Terrível.

Mas existe um outro fenômeno que chegou com o Covid-19, o da solidariedade. Aqui também, milhares de pessoas se organizaram para montar grupos de ajuda, para recolher doações e as encaminhar para os mais necessitados. Sem esta ajuda, o mapa da fome não pararia de crescer.

Aqui se revela a face mais humana da nossa sociedade. Doar é uma ação de fórum íntimo. A maioria o faz no anonimato. Não importa o valor, se em dinheiro ou se em uma ação social, doar é um ato de altruísmo. Muitos dos que doam, são justamente os que recebem algum tipo de ajuda e as dividem com outros mais necessitados. Da mesma forma, muitos dos que recebem ajuda, nunca fizeram uma doação antes. São as lições da vida.

Eu administro um grupo no FB com cerca de 6000 membros. As consequências do desemprego também podem ser vistas lá. Sabemos que alguns membros deixaram o grupo em silêncio quando não puderam mais pagar a conta da Internet. Mas conseguimos identificar os que precisam de ajuda e montar um grupo voluntário de apoio.

Solicitamos doações e elas começaram a chegar. Cada um ajuda como pode, em dinheiro ou profissionalmente. Tudo se soma e esta ajuda vai chegando onde é preciso, aliviando assim, o sofrimento que até então era silencioso. Agora não mais, com muito respeito e com muita humildade é possível contribuir com o próximo.

Se você chegou até aqui, seja um doador. Procure quem está organizado e doe o que puder, sua ajuda vai ajudar a minimizar a situação de alguém e vai te fazer se sentir bem.

Doar é contagiante, um contágio do bem. Se deixe contagiar por este sentimento.

Deixe uma resposta