18/04/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Não somos Sharon!

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Há muito tempo Sharon não conseguia ser uma unanimidade. Agora ele conseguiu: o mundo inteiro condenou o ataque a Gaza. Uniu até mesmo os EUA com a União Européia, um fato inédito em relação às propostas de ambos com relação ao Oriente Médio.

Colocar-se a favor de Israel, significa apoiar estas condenações. Ninguém pode ficar indiferente ao assassinato de 15 civis, entre eles 10 crianças.

As desculpas para tamanho crime beiram o non sense. Vejamos:

Eles serviam de escudo humano.

Aceitar este argumento seria como admitir que a polícia utilizasse tanques para invadir as favelas atrás de traficantes. As vítimas dos tiros de canhão seriam justificáveis porque estavam lá como escudos humanos para os traficantes.
Os habitantes das residências atingidas viviam nestes lares há vários anos. Não foram para lá a fim de proteger com suas vidas, a vida de um terrorista. Da mesma forma que os favelados não estão lá para protegerem traficantes.

Foi um erro.

Durante uma guerra ocorrem acidentes. Na maior parte das vezes acaba vitimando civis. Em outras, atingem soldados que são vitimados pelo que se denominou, fogo amigo, ou seja, atingidos pelos próprios companheiros.
Não foi o caso em Gaza. Ao se autorizar o lançamento de um míssil de uma tonelada sobre um edifício de apartamentos, sabia-se que civis seriam atingidos.

Estas mortes são o preço a pagar para impedir novos homens bomba.

Grupos terroristas palestinos escolheram os homens bomba como uma tática de guerra. Um Estado de Direito não pode fazer o mesmo. Não podemos condenar os filhos pelos atos do pai. Não podemos permitir a morte de um único inocente para atingir o culpado.
Seria como autorizar a polícia a matar o bandido, sua família e seu vizinhos.

Não houve intenção.

Terroristas palestinos escolhem lugares de grande aglomeração para se explodir. O fazem deliberadamente com a intenção de atingir o maior número possível de inocentes.
O que se poderia esperar de um míssil jogado contra uma área densamente povoada? Que ele fosse atingir exclusivamente a um único homem?

A operação foi um sucesso

Como pode um chefe de estado, um primeiro ministro de uma nação, dizer ao mundo que uma operação destinada a eliminar um terrorista, foi um sucesso quando ocasionou a morte de tantos inocentes, deixou mais de uma centena de feridos e dezenas de desabrigados?

Quando olhamos para o resultado, à parte de nossa revolta e de nossa consciência, que nos impele a não esmorecer na busca por uma paz justa, nos damos conta de que o desmando de um homem não pode condenar um povo e nem a um país.

Israel está passando por um de seus piores momentos. As atitudes de seu primeiro ministro estão levando perigosamente o país ao isolamento. Em pouco tempo, nem mesmo nossas indignações pelos atos terroristas vão encontrar eco. Nossos maiores amigos vão nos abandonar. Ninguém que ser amigo de assassinos. E se isto acontecer com os palestinos também, então estaremos sendo jogados a nossa própria sorte. Dois povos destruindo seu futuro, matando suas crianças e sendo alijados do mundo civilizado. Comparados a mais atrasada das nações africanas.

Não se tratam mais de disputas entre a esquerda e a direita, cada um propondo um caminho diferente para se alcançar à paz. Trata-se isso sim, de não perdermos o que nos é mais caro: nossa ética e nossa moral. Nossos valores que reconstruíram uma linda nação depois de se dispersar pelo mundo por cerca de dois mil anos. Que reencontrou o seu lugar entre as nações com exemplos de coragem e perseverança.

Trata-se de respeitar nossa história, nossos profetas e todos que contribuíram para que mesmo dispersos continuássemos unidos como um povo. Povo que jamais desistiu de voltar a constituir uma nação. Nação que hoje tem o dever de encontrar uma forma de devolver ao Povo Palestino o mesmo direito: de constituírem sua própria pátria.

O mundo precisa escutar nossa voz. Não somos Sharon! O povo judeu quer uma paz justa e verdadeira com os palestinos e todos os seus vizinhos. Cabe a nós nos fazermos ouvir.

Conclamo a todos a se unirem na Marcha Internacional pelos Direitos Humanos que está sendo organizada por 12 mulheres norueguesas para fevereiro ou março de 2003. A marcha que está sendo apoiada por diversos grupos pacifistas do mundo inteiro, pretende percorrer Israel e os territórios com uma mensagem de paz mostrando que eles não estão sozinhos.

Basta de intolerância, de ódios e de vinganças.
Queremos a Paz Agora.

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