22/01/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

O juiz Vallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal abriu uma ação penal contra Lula, Dilma, Palocci, Mantega e Vaccari. Eles são acusados de terem recebido cerca de 1,5 bilhão de reais em dinheiro desviado dos cofres públicos. Se fossem compadres e dividiram irmanamente o botim, cada um ficou com 300 milhões de reais.

Convenhamos que estamos falando de muito dinheiro. O Geddel, por exemplo, escondeu 51 milhões de reais em caixas e malas em um quarto de um apartamento. Onde seria possível esconder 300 milhões? Eu poderia sugerir vários lugares, como um apartamento com 6 quartos, uma piscina, um avião desativado etc.

Quem rouba, o faz com um propósito. O ladrão de galinhas, para comer. O ladrão de rua para comprar drogas e assim por diante. Todos tem uma justificativa para roubar, ninguém rouba por roubar.

Um assaltante de bancos já está em outro nível. Ele rouba para sustentar a família. E quer sustentar em alto estilo. Vai comprar imóveis, carros e fazer investimentos.

Os grandes sonegadores também roubam com um propósito. Não querem dividir o lucro do seu trabalho com o governo e preferem gastar o dinheiro destinado ao pagamento de impostos com eles próprios e suas famílias. Também vão ostentar com imóveis, carros, viagens etc.

Em comum a todo mundo que rouba, um propósito que seja. Mas no fim das contas, todos, sem exceção, buscam satisfazer as suas necessidades e sabem que trabalhando honestamente elas não serão satisfeitas. Não no prazo de tempo que gostariam.

Então vamos admitir que os acusados, amicíssimos de longa data, agora no alto escalão do poder tivessem se sentado um dia e, de acordo com seu líder, decidido roubar uma merreca de 1,5 bilhão de reais. Simples assim. Trezentos pra cada um e vida que segue.

O problema quando se lida com uma quantia destas é exatamente o tamanho dela em todos os sentidos. Como se movimenta uma fábula destas? Graças ao Rodrigo Rocha Loures todos nós ficamos sabendo que 500 mil reais é o que cabe em uma mala de mão. Então eles trouxeram cada um 600 malas, dividiram a grana, colocaram a sua parte nelas e saíram andando pela porta da frente.

Tudo bem, trouxeram 200 malas maiores e acomodaram o dinheiro. Ainda assim, convenhamos que seja muita mala.

Voltando então para o propósito. O que dá para fazer com 300 milhões de reais para gastar? Muita coisa, com certeza. Mas têm alguns problemas. Como o dinheiro não tem origem lícita, não dá para sair gastando a “La loca”. Vai ser preciso comprar tudo em dinheiro vivo e não declarar nada. Quando se vem de um berço de ouro, isso se dilui em meio à fortuna original, mas quando a origem não é tão nobre, é como ascender um farol no meio da sala para todo mundo ver de longe.

No caso do suposto líder da quadrilha, sua vida já foi todinha revirada. Tudo que a PF tentou e não conseguiu nestes anos todos desde que ele deixou a presidência, foi tentar encontra um real que não tivesse origem. Tanto assim que acabaram tendo de condenar o homem por um apartamento que quiseram dar para ele. Ou seja, não existe na vida dele, nada que não seja fruto de seu trabalho.

Ainda assim, acusações estapafúrdias continuam surgindo e parecem não ter fim. Outras muito mais fáceis de comprovação e com provas materiais não interessam, ou não merecem atenção quando se tratam de “homens de bem” como Aécio Neves, por exemplo.

O judiciário brasileiro está politizado ou nas mãos de incompetentes. Talvez as duas coisas juntas. São atualmente o espelho no qual o futuro presidente eleito parece olhar para escolher seus ministros. Se for de extrema direita e estiver sendo acusado de algo pelo qual a justiça não se interessa, está aprovado.

Sandice parece ser a bola da vez. Na Idade Média a igreja dizia que a terra era o centro do nosso sistema e que tudo mais orbitava a nossa volta. Muitos morreram ao tentar provar o contrário, outros para não acabarem mortos admitiram a bobagem.

Chegamos ao mesmo patamar. Ainda não estamos sendo jogados na fogueira por dizer o que é certo e lógico, mas em continuar assim logo vamos ser obrigados a admitir que a Revolução Francesa de 1789 foi marxista, mesmo com Marx tendo nascido somente em 1818.

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