14/04/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Guerra Não

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Saddam Hussein é um sujeito desprezível. Dirige um país chamado Iraque com mãos de ferro. Ele e seus filhos conduzem o país como donos de uma imensa indústria. Não permitem uma oposição, e esmagam qualquer um que se opor a seu mando. Foram capazes de utilizar armas químicas contra os habitantes Curdos no norte do país, matando indiscriminadamente homens, mulheres e crianças. Foram a duas guerras: uma contra o Irã e outra contra o Kuwait. Mais de um milhão de mortos.

Gosto muito dos Estados Unidos. Principalmente da Flórida e de seus parques temáticos. Fazem com que qualquer um se sinta numa realidade mágica. Por alguns minutos o mundo fica bonito e o fim da história é sempre bom. O bem vence o mal. Saímos de lá renovados e prontos para voltar à dura realidade. Poderia falar de muitas outras coisas boas que eles nos oferecem, mas vale lembrar seu outro lado.

Falar dos americanos implica em lembrar sua obstinação por vencer sempre. Lá não existe lugar para perdedores. A sociedade americana coloca o país acima de tudo e de todos. O que é bom para os EUA não precisa, necessariamente, ser bom para os outros. Neste caso, eles farão o possível para tirarem algum proveito. Na defesa de seus ideais foram capazes de uma Operação Condor que foi responsável pelo desaparecimento e morte de milhares de civis na América Latina.

Os EUA saem em busca de guerras que não ameaçam diretamente suas fronteiras físicas. Assim foi por exemplo, na Guerra da Coréia e no Vietnã. A ameaça era o fantasma comunista. Também investem na luta contra o narcotráfico. Por isso dizem, invadiram o Panamá.

Recentemente com o fim do que era tido como seu contra ponto, a União Soviética, os EUA viram-se como única grande superpotência mundial. Como senhores de um planeta em crise, colocam suas necessidades acima dos interesses dos demais. Por isso não aceitam o Protocolo de Kyoto contra a poluição planetária que beneficiaria as próximas gerações. Este acordo seria prejudicial as suas industrias poluentes e causaria o desemprego de americanos.

Agora querem destituir Saddam Hussein. Não importam os motivos, decidiram que este ditador sanguinário deve ser removido do poder. E como possuem capacidade militar, econômica e tecnológica para isso, tudo indica que os iraquianos que sobreviverem a guerra terão um novo líder em breve.

Para israelenses e palestinos este é mais um ponto de discórdia. Israel que já destruiu uma vez o Reator Nuclear Iraquiano e sofreu um bombardeio indiscriminado de Mísseis Scud durante a Guerra do Golfo, a destituição de Saddam é muito bem vinda. Já os grupos radicais palestinos que recebem ajuda financeira do Iraque para sobreviverem e manter o terrorismo contra Israel, a saída de Saddam vai terminar com uma das fontes de financiamento de seus homens-bomba.

Mas a guerra trará outras implicações para a região. O fundamentalismo que anda na esteira dos demais regimes ditatoriais do Oriente Médio irá se fortalecer. O fanatismo religioso vai receber mais adesões e simpatias, quando os números dos mortos de civis inocentes começarem a serem divulgados. Este efeito colateral é tão previsível e desconsiderado pelos americanos, que seu efeito se fará sentir num curto espaço de tempo com o aumento do terrorismo.

Ser contra esta guerra é ser a favor da vida. Não se pode em nome de um mal, causar um mal ainda maior. Apesar de toda a prepotência do governo americano, a cada dia cresce o número de cidadãos americanos contra a guerra, mesmo com toda a retórica belicista baseada até em plágios de trabalhos estudantis.

Querem que o mundo renuncie as armas atômicas mas mantém um arsenal capaz de destruir a Terra dezenas de vezes. Nem mesmo eles conseguiram até agora, comprovar que o Iraque possua armas de destruição em massa iguais ou similares as suas.

Ser contra a guerra neste momento é apoiar a ONU e tentar igualar as nações que convivem no mesmo planeta. É buscar a diplomacia como forma de resolver os conflitos e permitir o uso da força como último recurso, quando tudo mais tiver fracassado.

Ser contra a guerra é querer que palestinos e israelenses tenham um exemplo de civilidade na solução de seu conflito. Mostrar que a negociação e o respeito às resoluções da ONU, ainda são o melhor meio de se chegar ao entendimento.

Ser contra a guerra não significa prestar apoio a Saddam Hussein, é estar ao lado de um mundo melhor para todos nós, os habitantes da Terra.

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