20/01/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Esperança

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Que bela palavra esta. Sob todos os aspectos. Fonética, escrita, sentimento, tudo nela é bonito. É ela que nos motiva a encontrar um caminho, uma saída para tudo. Tão significativa que dizem que “é a última que morre”.Mas o que acontece quando finalmente isso acontece?

Meus avós emigraram da Rússia por parte de pai e da Polônia por parte de mãe. Da Rússia saíram após contribuírem com a Revolução Bolshevique e serem perseguidos por ela. Da Polônia tiveram de sair antes que Hitler os alcançasse.

A pouco tempo, reunido com um grupo de amigos palestinos, escutei de um deles que sua família vivia a muitas gerações na Cisjordânia. Próximo de suas terras surgiu uma colônia judaica. No inicio eram bons vizinhos. Com o passar do tempo, a colônia teve de receber cada vez mais a proteção do exército. Logo as terras, e o lar desta família passaram a ser alvo constante de buscas, revistas e toque de recolher. Acabaram emigrando para o Brasil.

O que estes dois relatos têm em comum? Para eles pareceu que não havia mais esperança. Não restou alternativa. Para sobreviverem tiveram de abandonar seus lares e migraram para outro país.

Perder a esperança é talvez a maior das tragédias humanas. Quando ela se perde, então nada mais tem sentido. Parece que não existem mais alternativas, e que o peso que a falta dela nos faz, irá sufocar-nos até a morte.

A tragédia que hoje se abate no Oriente Médio faz com que muitos percam a esperança. Vidas perdidas, sonhos arrasados, tragédias familiares, desemprego, ódio, vingança etc. Onde está a esperança? Como é possível ainda pronunciar tal palavra?

Certa vez um bom homem procurou um Rabino. Contou a ele que sua casa era muito pequena, e que sua mulher havia convidado seu cunhado que estava desempregado para viver com eles. A casa ficara muito pequena e apertada tornando a convivência muito difícil. O Rabino pediu que ele, sem discutir, levasse um bode para dentro da casa por 15 dias. Duas semanas depois ele voltou e implorou ao Rabino para tirar o bode de dentro dela. O rabino concordou e passado alguns dias, o bom homem voltou para dizer que a vida dentro da casa havia ficado uma maravilha.

O que está faltando neste conflito é que se comecem a retirar os “bodes”: o fim do terrorismo, o desmantelamento das colônias etc. Com isso, pode-se imaginar que as pessoas voltem a ter alguma esperança. Possam ver como a vida é possível sem o medo da morte. Sem os “bodes”, pode-se ter a esperança da retomada do diálogo e de uma conferência de paz.

Nós não podemos permitir que nos tirem a esperança. Temos de fazer dela nossa razão de ser, e de acreditar que um mundo melhor é possível. Fazer dela nossa bandeira de persuasão. Convencer mais e mais pessoas para aderirem ao Campo da Paz.

Não vamos deixar que matem a esperança. Paz Agora.

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