05/08/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Espelho, espelho meu

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Em um país distante vivia um homem cuja ambição era ser rei. Tinha esse sonho de ter muito poder, de mandar e não ser contrariado. Contam que tinha um espelho mágico diferente da história infantil Branca de Neve e os sete anões. O espelho clássico dizia a verdade para a rainha, já esse outro espelho sempre dizia que ele era o mais forte e, mesmo ele sabendo pouco, o espelho dizia que ele sabia tudo. Um dia esse homem se candidatou a rei, e ninguém acreditava nele, mas sua campanha feita com ódio, mentiras, e um ataque mal explicado foi vitoriosa.

Todos os dias o novo rei vociferava contra os que discordavam dele. Sabia mais medicina que os médicos, mais jornalismo que os jornalistas, mais educação que os educadores. Quase todos lhe tinham medo, pois era festejado por policiais, milicianos, profissionais liberais, ricos e até pobres. Instalou-se nesse país a mentira, mas o rei afirmava que só ele dizia a verdade e os demais mentiam, e ficava o dito pelo não dito. Um dia chegou aqui, vindo de outros países, um vírus, um vírus coroado e desafiou os conhecimentos do rei. Este desprezou o vírus, disse que homem não tem medo de um ser invisível, só os moleques tem medo. Os pequenos reinos que obedeciam ao grande rei começaram uma revolta, seguindo os médicos. Eles desobedeceram, pois temiam mais a coroa do vírus que a coroa do rei. Um dia este chegou ao espelho, como fazia todos os dias, e perguntou:

“Espelho, espelho meu, tem alguém mais poderoso que eu?”
E então o espelho mudou, ninguém sabe como, e disse:
“Tem, meu rei, é o coroa vírus”.
O rei ficou revoltado e disse:
“O coroa vírus é fraquinho, não pode com minhas forças, proponho um combate”.
E o espelho disse: “A coroa do vírus é invisível e a luta para matá-lo não pode ser com metralhadora, é uma guerra que não conheces”.
O rei arrogante, prepotente e narcisista ficou meio louco, seus olhos brilhavam de certezas.
“Ou eu mando ou o coroa vírus, todos estão contra mim, ainda bem que tenho uma manada obediente. Tu, espelho, mentes e vou te jogar fora, traidor. Odeio os medrosos, odeio os mentirosos, pois eu sou o rei e eu mando.”
O espelho: “Cuidado tempera teu ódio, ele está fazendo mal a muita gente e tua brabeza cria mais insegurança”.
O rei: “Cartucho, Cartucho, meu filho, quero outro espelho, cortem a cabeça desse espelho, ele é cruel, malvado, é um traíra no meu reino”.
Cartucho pediu a seus amigos armados e amados que comprassem o melhor espelho do mundo. No outro dia o rei acordou e viu o novo espelho e logo perguntou:
“Espelho, espelho meu, tem alguém mais poderoso que eu?”. E o espelho silenciou.
“Cartucho, Cartucho, não traga mais os espelhos, eles agora foram comprados por eles. Ah, meu Deus, por que me abandonaste, onde estão os pastores Malvado e Malvadeza?”
O rei reage às críticas, fica abatido, mas logo recupera sua fúria. Fez uma lei em que determina ser verdade só o que ele diz e mentem todos os demais. Cita a Organização Mundial da Saúde como se ela estivesse a seu favor e seguindo suas invenções mortíferas. É desmentido a nível mundial não se importando com a imagem do reino.

Para o rei todos os dias são primeiro de abril, dia dos mentirosos, dia dos bobos.
Felizmente, sopram ventos que trazem certa esperança, uma esperança silenciosa. São tempos de reclusão, de tensão, mas de luta para manter o norte. São tempos de exercitar a imaginação, na lenta vida cotidiana. Muito está por acontecer na valorização da República (Res pública- coisa pública). Viver bem não é acumular dinheiro e poder, os que pensam assim, com respeito, são os pobres de espírito. Uns dependem dos outros, cada vez mais, logo é hora de aprender, aliás, viver é aprender.

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