16/04/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

E havia um vírus no caminho

4 min read

Nem o pior pesadelo se compara ao que estamos passando com o Covid-19. Ele supera em realidade o que muitos filmes de ficção tentaram mostrar em situações semelhantes. Tudo isso porque somos nós os atores do dia a dia nesta pandemia.

Muitas teorias conspiratórias foram criadas, e provavelmente outras virão à tona enquanto não tivermos a maldita vacina para este vírus, o que se espera para o ano que vem. Enquanto isso, os números de infectados e mortos aumentam no mundo inteiro, especialmente em países que ousaram fazer pouco caso da ameaça, como o Brasil.

Parece que não aprendemos nada com a Gripe Espanhola que em dois anos de pandemia, não havia ainda vacina, infectou um quarto da população mundial da época (1918 a 1920), 500 milhões de pessoas e deixou 50.000.000 de mortes no seu caminho. Teve também uma segunda onda, muito mais mortal do que a primeira neste período.

É fato que os cientistas de nossos dias não presenciaram o que aconteceu, muita informação médica foi perdida. Como hoje, muitos governos maquiaram os números e a gravidade do que aconteceu. A quantidade real de mortes varia entre 17 e 100 milhões, dependendo onde se procure a informação, por isso a estimativa de 50 milhões seja a mais realista.

Com toda a nossa capacidade de informação, os acontecimentos que começaram na China no início do ano, logo chegaram ao mundo inteiro. Todos os países tiveram a chance de fechar suas fronteiras, todos tiveram a chance de se prepararem com o abastecimento dos hospitais e a compra de máscaras e luvas. Estes procedimentos teriam impedido a maioria das mortes, mas foram negligenciados pelos governantes, em maior, ou menor intensidade.

A gravidade da situação podia ser percebida pelas medidas que o governo Chinês tomou. Só não viu quem não quis. Hospitais tiveram de ser construídos as pressas, e o isolamento social radical adotado. Uma cidade inteira entrou em lockdown. O vírus se mostrava altamente contagioso e extremamente mortal.

A falta de bom senso, de precaução, ou mesmo a ignorância de alguns governantes levaram as tragédias sociais que ainda estamos assistindo. Os números de infectados, que não para de crescer, já se aproxima de 8 milhões e o de mortos em 430 mil. Hoje os EUA e o Brasil lideram estas estatísticas.

Quem olhar para o mapa mundial verá que a pandemia veio do oriente para o ocidente. A contaminação foi crescendo na medida que as fronteiras permaneceram abertas e os viajantes doentes foram voltando para casa, ou fazendo turismo onde era permitido. O vírus foi sendo transportado pela aviação no ar, por navios no mar e por terra por seres humanos.

Tanto os EUA, como o Brasil tiveram tempo para impedir o que era uma tragédia anunciada. Ao contrário do resto do mundo que já pagava por seus erros, poderiam ter fechado as fronteiras e não o fizeram. Poderiam ter preparado o sistema de saúde com a compra de material médico, preparação de UTIs com ventiladores, e não o fizeram. Quando foi imperativo, era tarde demais.

No Brasil a situação é ainda pior. O presidente até hoje não acredita na doença e contraria todas as medidas de contenção que a ciência recomenda. Despreza veementemente o isolamento social e o fechamento do comércio em geral. Se dependesse exclusivamente dele, o país teria mantido tudo funcionando. Até hoje não existe um Gabinete de Crise para tratar do Covid-19, algo que todos os países criaram integrando todos os envolvidos com a pandemia, seja pelo lado médico, social e até financeiro.

O ano de 2020 será um ano perdido. Em alguns países o ano escolar não vai contar. Companhias de aviação vão desaparecer, negócios vão falir, empregos serão perdidos, sonhos destruídos. Mas principalmente vidas serão levadas para sempre. Avós, pais, irmãos, primos, amigos, conhecidos que não vão mais estar entre nós.

O Brasil já vinha de uma péssima escolha para presidente e como nada está tão ruim que não possa piorar ainda mais, havia um vírus no caminho.  Espero que a história seja implacável com Bolsonaro e Trump. O americano provavelmente não se reelege nas próximas eleições previstas para novembro deste ano. O brasileiro, que seja impedido de continuar governando, seja pelos crimes eleitorais que sua chapa cometeu, seja pelos inúmeros crimes que vem cometendo enquanto presidente.

Que ambos tenham seus nomes jogados no lixo da história.

 

Deixe uma resposta