25/07/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Caminho para a Paz

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O que é que temos feito efetivamente em prol da paz? Escuto a direita israelense dizendo que é a favor da paz, alguns até mesmo a favor de um Estado Palestino. Mas o que é que estão fazendo pela paz?

A verdade é que nada tem sido feito. Todas as ações de Israel estão no caminho inverso. Não vale a desculpa de que eles também não estão fazendo nada. Eles estão se explodindo ao nosso redor, assassinando pessoas inocentes etc. Nós sabemos disso, mas e daí? Por causa disto não temos nada para mostrar. Será que somos todos iguais neste conflito?

Pode-se dizer que sim. Até este momento utilizamos o Código de Hamurabi. Assim sendo, para cada israelense morto, existem 3 palestinos. Nós aplicamos o código com maior fervor.

Mesmo com toda nossa superioridade em armas e tecnologia, não conseguimos solucionar o problema. Nosso primeiro ministro prometeu paz e segurança e só recebemos guerra e insegurança maior do que havia antes.

Exigimos que eles se comportem como cidadãos de uma nação européia mas os tratamos com a arrogância dos ocupadores. Até este momento não retiramos uma única colônia de seu futuro território, mas exigimos que se contentem com o que tem. Não queremos que se desesperem com a falta de perspectiva mas em troca não oferecemos ajuda ou trabalho. Sequer apresentamos uma proposta qualquer que possamos cumprir e implementar.

Estamos dando uma lição de intolerância ao mundo inteiro. Não somos capazes de produzir e implementar uma política séria que traga de volta as negociações. Tudo o que fazemos é despejar pedras no caminho. Tudo serve como desculpa para não se cumprir com qualquer acordo, por mínimo que seja.

Somente a direita e os grupos terroristas parecem estar tirando algum proveito de tudo isso. Talvez até estejam se encontrando secretamente para trocar experiências. Em breve já vão poder realizar um congresso. Posso imaginar vários temas de discussão: O ódio é maior do que a razão; Vocês não existem; Esta terra é nossa. Talvez existam delegados de Belfast ou da Bósnia, afinal sempre existe algo novo para incentivar a separação.

A cada dia matamos mais crianças em nossas incursões cirúrgicas. Estendemos um dedo em prol de um entendimento mínimo e ao mesmo tempo batemos com toda a força de nossa mão. O resultado desta política vai acabar trazendo a renovação de ataques terroristas. É só uma questão de tempo. Violência gera mais violência.

A situação hoje está a mercê de duas forças. A primeira dos grupos radicais islâmicos que se alimentam do ódio gerado pela ocupação que tornou a vida insuportável nos territórios. A segunda das forças armadas israelenses que se alimentam do ódio gerado pelos ataques terroristas praticados pelos grupos radicais. Um círculo vicioso de vingança que se retro-alimenta.

Todos os fatores desta disputa são conhecidos. Todas as peças deste jogo carnificina são conhecidas. Todos os agentes intervenientes são conhecidos. Porem nada é capaz de quebrar o círculo vicioso. Os que de alguma forma precisam manter esta batalha continuam sendo os únicos vencedores.

O Campo Pacifista vem apontando a única solução reconhecida desde muito tempo: dois estados convivendo em paz lado a lado. Não existe outro caminho. Não há solução militar. Ela é política e precisa ser implementada por políticos comprometidos com a reconciliação.

Enquanto os dois povos continuarem sendo liderados por dois políticos-militares que travam sua guerra particular a custa de centenas de vidas de seus próprios cidadãos, a paz continuará sendo um sonho cada vez mais distante.

O povo israelense e o povo palestino precisam refletir sobre a continuidade do conflito sob a atual liderança, ou a necessidade da realização de eleições em ambos os territórios. Elegendo novos líderes, a regra deste jogo será alterada. De outra forma, vamos continuar assistindo ao enterro dos mortos e nos tornando seres cada vez mais amargurados. Ninguém sobrevive deste sentimento. Ele corrói nosso discernimento e nosso bom senso. Ele nos torna cegos a dor de nossos semelhantes. Ficamos incapazes de compreender a desgraça que vai alem de nossas fronteiras. Passamos a nos preocupar somente conosco. Este é o maior perigo. Isso precisa ter um fim.

Esta guerra tem de acabar porque está matando a todos nós.

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