05/08/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

Bolsonaro, o vírus agradece.

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“Estamos preocupados, obviamente, mas não é uma situação alarmante”, Jair Bolsonaro em 26 de Janeiro de 2020.

Imaginem as cidades de Piracicaba em São Paulo, Olinda em Pernambuco, Anápolis em Goiás, Vitória no Espírito Santo. Imaginem que de um dia para o outro elas tenham se convertido em cidades fantasmas, desprovidas de habitantes. Imaginem entrar numa cidade como qualquer uma delas e não encontrar nenhum ser humano. Quando o Brasil cruzou a marca de 400 mil mortos pelo Covid-19, foi como se uma destas cidades tivesse ficado sem nenhum habitante.

Mesmo sem ninguém, tudo permaneceu no seu lugar. Os lugares a mesa estão lá, os pertences, as fotografias, os animais de estimação que agora perambulam em busca de seus donos, os carros sem motoristas, as salas de aula sem alunos e professores, os cinemas vazios. Pode-se escutar o silêncio.

Uma tragédia desta magnitude raramente acontece. Este é o número de mortos causadas pelas Bombas Atômicas jogadas sobre Hiroshima e Nagasaki pelos EUA no final da II Guerra Mundial. A população destas cidades não tiveram escolha.

O genocídio brasileiro teve como ser evitado e a escolha foi deixar acontecer. Do Oriente para o Ocidente, o vírus foi se espalhando e mostrando sua força. Conquistou nação após nação sem dó nem piedade. A ciência precisou de quase um ano para criar uma arma capaz de combater esta praga implacável. A maioria dos países prontamente passaram a adquirir reservas das vacinas que seriam produzidas, o Brasil nada fez.

A mortalidade causada pelo Covid-19 logo ficou conhecida. Os países adotaram os mesmos protocolos de combate: lockdown, distanciamento social, máscaras e higiene. Todos que tentaram qualquer coisa diferente se deram mal. Os procedimentos se tornaram conhecidos e o emprego de medidas extremas se mostrou eficaz. Ainda assim, o vírus não foi vencido e onda após onda, mais mortes e o emprego de novas medidas contenção.

Cada lockdown teve um custo econômico imenso. Milhares de negócios fecharam e não reabriram mais. Dezenas de milhares de pessoas perderam seu emprego. A sociedade sofreu um impacto que mais lembra tempos de guerra ou de um cataclisma. No entanto, por mais amargo que tenha sido, o lockdown salvou centenas de milhares de vidas.

A medida que as vacinas começaram a serem distribuídas no mundo o cenário começou a mudar. Países, como Israel, que vacinaram em massa sua população, mostraram que os resultados superaram as expectativas. Com a queda no número de novos infectados a vida foi voltando próximo do normal. A economia já mostra sinais de reação.

Países que não tiveram um gerenciamento de crise como o Brasil e a Índia, por exemplo, viram os números de infectados dispararem e o colapso no sistema de saúde, que não tem mais como lidar com o número cada vez maior de internações, acontecer. Pessoas estão morrendo sufocadas por falta de oxigênio. Mesmo as que tiveram a sorte de conseguirem internação estão indo a óbito pela falta de kits para incubação.

Com o sistema colapsado o vírus vai tendo mutações e encontrando maneiras de continuar matando. Assim, as vacinas podem se tornar inócuas para uma determinada nova cepa e todos que se vacinaram teriam de ser vacinados novamente. Este é o mal que países como o Brasil estão causando ao mundo.

Brasileiros já estão sendo impedidos de entrar na maioria dos países. Ninguém quer dar chance ao azar de permitir a entrada de uma nova e desconhecida cepa mais mortal em seu território. No futuro o Brasil pode vir a ser responsabilizado pelo que está causando e não seria inimaginável processos internacionais demandando compensações financeiras pelo descaso com que tratou a pandemia.

A um cataclisma não se tem a quem culpar. Crimes de guerra são julgados. Quanto tempo será necessário para que os que levaram o país a este estado paguem pelos crimes que estão cometendo?

Logo, cidades como Florianópolis em Santa Catarina, Macapá no Amapá, Vila Velha no Espírito Santo vão ter desaparecido quando cruzarmos a incrível marca de meio milhão de mortos liderados por Bolsonaro.

Tem idiota que a gente vê nas mídias sociais, na imprensa né?… Vai comprar vacina. Só se for na casa da sua mãe”. Jair Bolsonaro em 04 de Março de 2021.

 

 

 

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