16/01/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

A Revolução dos Livros

3 min read

Nunca ofenda os estudantes. Principalmente em um país onde eles já saíram as ruas por causa de um aumento de R$ 0,20 centavos na passagem do ônibus. Regra básica para bons entendedores.

As manifestações que se realizaram em todo o Brasil, as primeiras organizadas depois das eleições, mostram que quebrar aquela regra não foi uma boa ideia. Melhor, conseguiram unificar estudantes com professores, pais com filhos, até mesmo quem já foi universitário um dia, todos que compreendem a importância das universidades no desenvolvimento de uma nação.

Primeiro quiseram fechar os cursos de humanas. Depois cortaram verbas essenciais a manutenção das universidades e dos projetos de pesquisa. Quiseram provar que 35 é igual a 3,5 em termos percentuais “chocolatais”. Aí foi demais, a água ferveu.

Eu venho dizendo há tempo que as ruas precisavam ser ocupadas e preciso agradecer ao bando de incompetentes que compõe este governo pela ajuda prestada. É incrível a capacidade deles de irritarem todo mundo.

As ruas de todas as capitais e outras dezenas de cidades foram tomadas por manifestantes. Na minha opinião, ainda de forma tímida. Precisamos do efeito avalanche e ele vai acontecer. Na medida em que novas convocações sejam feitas, mais gente vai se somar e logo teremos números nunca antes vistos no Brasil.

Estamos diante de uma revolução que não utilizará armas de fogo, esta será a Revolução dos Livros. Nenhum país do mundo pode melhorar a vida de sua população se não melhorar o nível da educação para todos os seus cidadãos.

O conhecimento é o pilar do desenvolvimento. Lula percebeu isso desde o primeiro dia como presidente. Não apenas apoiou as universidades existentes, como criou novas. Permitiu que estudantes de baixa renda chegassem a elas. Especializações no exterior com bolsas de estudo, cotas e tudo que era necessário para melhorar o nível dos nossos estudantes, Lula não mediu esforços. Reservou parte da riqueza do Pré-sal para a educação.

Este governo, sem nenhum projeto em nenhuma área, resolveu atacar a ciência, a pesquisa e toda forma de produção de conhecimento. Querem um país de empregados subordinados a classe dominante. Pessoas inteligentes podem se tornar um perigo.

A inépcia dos ministros já é conhecida. Bizarrices e trapalhadas diárias produzem o efeito esperado, economia estagnada, aumento do desemprego, menos segurança nas ruas, queda nas vendas, aumento de falências, fechamento de negócios, enfim tudo em que é possível piorar, estamos liderando.

Contudo faltava uma faísca para dar ignição ao processo de desencantamento amplo, geral e irrestrito. O grito que estava preso nas gargantas foi libertado e o povo gritou, gritou muito, e foi lindo escutar.

As mãos que nunca se soltaram, vieram para as ruas. Os que resistiram ao choque da perda da eleição e nunca desistiram, vieram para as ruas. Os que nunca deixaram de denunciar os descalabros, vieram para as ruas. Enquanto estavam destruindo nosso presente, suportamos a dor, mas quando quiseram destruir nosso futuro, fomos todos para as ruas.

A revolução mal começou, existe um longo caminho a ser percorrido. Cada dia mais gente vai se somar, mais pessoas vão acordar desde pesadelo, mais indivíduos vão dar as mãos. Nossa arma são os livros e com eles vamos recuperar o Brasil para todos os brasileiros.

 

 

Deixe uma resposta