18/04/2021

A Voz da Esquerda Judaica

Mauro Nadvorny & Amigos

A esperança no Brasil pegou Covid

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Existem momentos na história onde não somos capazes de prever o futuro. Muitas empresas pagaram caro por isso, algumas devido a sua arrogância, outras devido a sua burrice mesmo.

São muitos exemplos desta falta de bom senso, ou como queiram chamar. Lembram das empresas de Máquinas de Escrever antes dos computadores? Antes disso mais longe no tempo, as empresas de transporte que utilizavam carruagens com a chegada dos veículos movidos a motor. E os fabricantes de filmes para máquinas de fotografia, de toca-discos, e por aí vai. Todos insistiram que seus negócios eram eternos.

A cegueira de muito empresários levou a ruína suas empresas e com elas o desemprego de milhares de trabalhadores. A história está recheada de exemplos e ainda assim até os dias de hoje, muita gente se recusa a aprender com o passado repetindo os mesmos erros.

O mundo hoje disponibiliza informações para todos. A Internet permitiu que qualquer ser humano, praticamente em qualquer ligar do planeta, acesse a rede para obter informações e ensinamentos que antes eram restritos a poucos. Hoje com um celular nas mãos e um acesso a rede, podemos explorar o mundo todo.

Quando falamos de pandemias, a maior delas a Gripe Espanhola, está lá para nos ensinar do que um vírus é capaz. Foram milhões de mortos, uma tragédia mundial com a qual quase, ou nada aprendemos. Repetimos os mesmos erros. Sabemos como devemos nos comportar, ainda assim, deixamos a desejar.

Aprendemos muito neste ano que passou. Temos conhecimento sobre o que enfrentamos, o que pode ser feito e o que não deve ser feito. Cada país fez suas apostas no enfrentamento e com isso temos clareza com relação ao que deu certo e ao que fracassou. Todos são unânimes em alguns aspectos.

Primeiro o óbvio que é o uso de máscaras, distanciamento social e higiene. Estas três regras ajudaram todos os países do mundo no combate ao Covid-19. Depois temos o Lockdown, o fechamento da atividade econômica com a população impedida de circular. Este meio se mostrou eficaz para reduzir o fator “R” (o número de novas infecções causadas por uma pessoa infectada), e consequentemente reduzir o número de novos doentes. Por último a aplicação das vacinas, a única maneira de prevenir a doença.

Em paralelo sabemos que não existe tratamento medicamentoso preventivo. Para os mais antigos, é como se tomar Vitamina C, prevenisse a gripe, como quiseram nos fazer crer no passado. Também sabemos os percentuais de casos que vão se tornar graves e, infelizmente o número dos que vão a óbito.

Todas estas informações permitem aos países que dispões de um comitê de crise, municiar as autoridades com o que deve ser feito, seja lançar mão do Lockdown, de aumentar o número de leitos de UTI, de disponibilizar respiradores e estoque de oxigênio, e obviamente a compra de vacinas.

A importância de vacinar a população no menor prazo de tempo possível é essencial para reduzir a circulação do vírus e as consequentes mutações. A ciência sabe que todo vírus se adapta. Sua mutação normalmente aumenta sua capacidade de driblar as defesas humanas se tornando mais letal. Quanto antes ele é combatido, menor o número de mutações. As novas mutações do Covid-19 fazem dele um vírus mais agressivo, mas infeccioso e que agora é capaz de atacar crianças também.

Como eu comecei escrevendo, houveram momentos na história em que decisões mal calculadas levaram a ruína de negócios centenários. Não foi diferente com o Covid-19. O número de mortos poderia ter sido menor em muitos países se tivessem tomado as medidas necessárias que levassem a um menor impacto causado pelo vírus. Felizmente, quase todos eles, a exceção do Brasil entre as grandes nações, aprenderam a lição e mudaram sua tática de enfrentamento da pandemia. Aprenderam com seus erros e corrigiram suas ações.

O que o mundo assiste hoje, e o que os brasileiros estão vivendo é o inicio da perda de controle e o colapso dos hospitais na sua capacidade de receber e tratar novos pacientes com a falta de UTIs. Os médicos já devem estar escolhendo quem vai morrer e quem vai ter uma chance de tratamento. A mesma coisa aconteceu na Itália no ano passado, mas is italianos aprenderam da pior maneira a não menosprezar o vírus e outros países não repetiram o mesmo erro.

Com a circulação livre do vírus devido a falta de vacinas, o consequente aumento de mutações pode tornar as vacinas existentes ineficazes no Brasil. Uma tragédia anunciada em um país onde não existe um comitê nacional de crise e o Ministro da Saúde é um milico que não sabe sequer como abrir um bandeide.

Se o Brasil não decretar um Lockdown nacional de pelo menos 3 semanas, se não aumentar muito o ritmo da vacinação, o país vai conhecer sua maior tragédia humana em tempos e paz de sua história. Uma carnificina de total responsabilidade de seu presidente, o único entre os países do G20 a não ter se vacinado e continuar negando a importância da vacinação.

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